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24/11/06

brinquedos

não costumo ver esse pedal  (aqui de cima) no set dos "guitar heroes" locais, até porque não se trata de uma distorção, tão fácil de ser ver, mas sim de um efeito de modulação ou de filtro (perdoem-me os eruditos das guitarras se estou sendo impreciso).

dedé aka homobono viu esse  pedalzinho em ação na vez em que os então kamundjangos foram gravar as três faixas do lendário (????) pau-de-sebo paredão, lançado pela emi-odeon em 1996 . naquela época pedimos uma ajuda do hoje prolífero produtor musical kamal kassim, do acabou la tequila. ele levou ao estúdio nas nuvens alguns pedais, entre os quais um dynamic filter,  da boss, que é praticamente a mesma coisa que esse aí de cima. quem já escutou o paredão, pode conferir o efeito dessa geringonça na faixa "kamundjangos". é muito fácil identificá-lo: lembra muito um wah wah, só que você não precisa ficar pisando para fazer as modulações. na verdade, o controle dessas modulações vem na intensidade da palhetada que você dá nas cordas do instrumento.

lembro que quando fomos gravar o single "o futebol", do "raiva contra oba oba",  tom capone (1967-2004), que trabalhava como engenheiro de som do estúdio a.r., apresentou-me um tal de mutron.  esse console tinha uma aparência de base de ventilador(?!?!?!), mas tratava-se de um efeito semelhante ao envelope filter.

em princípio, o som chegava a ser engraçado, meio "os trapalhões na guerra dos planetas". mas hoje vejo que a galera do funk das antigas usava esse timbre direto. na gravação, enquanto se escuta dedé cantando "o futebol-bol-bol não vai acabar com minha vida/ eu queria ser um craque e não me querem na torcida…", há uma guitarra no fundo executando uma frase vestida de mutron.

mais tarde quando tom capone assumiu a produção do "raiva contra oba oba" com joão barone (paralamas do sucesso), tivemos mais surpresas. tom carregava uma hardcase cheia de pedais antigos e raros. fora os amplificadores, cabeçotes e gabinetes, como a desconhecida para mim, a leslie speaker. chamada de caixa lésbica por tom, ela funciona com seu alto-falante girando em torno do próprio eixo, gerando um efeito natural de rotary, parecido com o chorus. curioso era ver o amplificador trepidando como uma máquina de lavar, enquanto gravávamos o solinho de "o último ônibus da madrugada".  em "eu não sei pogar", também usamos a leslie nas guitarras. no finalzinho da música o efeito fica muito evidente. preste atenção. 

já na mixagem, tom acabara de receber uma encomenda lá das gringas. o novo brinquedo era uma indicação de nada mais nada menos que mario caldato jr (produtor do "check your head" e "ill comunication" do beastie boys ):  mais um filtro, chamado mutator.

vi tom tirar o aparelho da caixa todo bobo. ele aplicaria o efeito em duas músicas do raiva: "sopa de jornal" e "necessidade"não dá para descrever o timbre que ele confere senão dizendo que se trata de um zunido de modulação aleatória, sem afinação, como  um sweep que o pessoal do reggae e dub usa direto. viagem descerebrada total. psicodelia.

recentemente, quando os djangos foram ao estúdio de marcelo yuka (ex-rappa e atual f.ur.t.o.), para gravar uma demo de ensaio, dedé se deparou com um moogerfooger low pass filter num estojo de plástico grande que continha várias preciosidades. seu efeito se assemelha muito com um phaser, mas com várias outras possibilidades, inclusive nas modulações grave-agudo. dedé aproveitou e o incorporou-o temporariamente no seu set.

a fabricante de acessórios, line 6,  comercializa um módulo de filtros, o FM4, que imita vários efeitos desse tipo. no manual do usuário eles listam um a um dos filtros disponíveis, quase vinte. os puristas fiéis aos analógicos torcem o nariz mas a mó galera de conceito usa e faz bom proveito. gente como lúcio maia (nação zumbi), carlão (netunos) e funk frunk, que tocou guitarra e compôs com os djangos até pouco tempo.

 

vale a pena lembrar que nosso primeiro disco foi gravado de modo analógico. um orgulho, já que atualmente é raro  usar as fitas de não sei quantas polegadas, como aquelas usadas nas  studer gigantescas.

hoje registra-se tudo digitalmente no famigerado protools.  há vários plugins que emulam todos esses efeitos citados. os djangos tiveram a sorte de ver esses legítimos trambolhos vintage todos funcionando ao vivo.

só para contrariar, dedé aka homobono não usa nada desses brinquedos, infelizmente. nos shows pode-se vê-lo usando um surrado e defasado e digital multi-efeito ME-8 da boss e um amplificador transistorizado, stage SE da fender.  dá pra brincar um pouco.

por dedé aka homobono

criado por djangos    10:12 — Arquivado em: Sem categoria

2 Comentários »

  1. Opa!
    Pô, mt foda! Lembro bem dos efeitos nas músicas, depois vou até dar um confere no cd. Aliás, tenho curiosidade quanto ao setup usado para o baixo, no “Raiva…”.

    E cara, esse lance de analógico X digital, é uma discussão que não tem fim. Na minha posição de Eng. de Telecom, digo que não é impossível se obter um timbre vintage, por meio de Ci’s. Os puristas (a turma do analógico) dizem que conseguem perceber entre um pedal vintage e um modernão. Eu já acho isso um aspecto psicológico: põe só um cara desse pra tocar, sem olhar para o que tem entre a guitarra (baixo, etc) e o ampli. Dúvido que ele perceba diferenças. A presença, a visão da caixinha vintage por parte do músico o induz a crer que há notável diferença entre timbres digitais e analógicos.

    Abraços

    **viajei, ou alguém entendeu minha jogada? Acho que essa vai ser minha tese de mestrado/ doutorado, kkkkkkkkkkkk**

    Comentário por Lismar Santos — 29 de novembro de 2006 @ 16:33

  2. nos fóruns de pedais e efeitos, a turma que adquiriu e usa pedaleiras digitais, como a GT8, da boss, a G9tt da zoom ou a versão ground do POD, da line 6, argumenta que se você pegar uma distorção digital e outra analógica e tocar junto e comparar, não vai conseguir distinguir. eu fiquei na minha até ir na showpoint da barra. lá, pedi para experimentar o big muff, da eletro harmonix. estava até meio descrente. mas aí quando liguei o bicho. pqp. de primeira senti que era coisa quente. mal acostumado que estou com a ME-8, fiquei impressionadíssimo com o som analógico do big muff, que resumindo: é foda.
    aí, fiquei um pouco desanimado com as pedaleiras digitais.

    Comentário por dedé aka homobono — 30 de novembro de 2006 @ 9:22

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