10/1/07
Chico Buarque é Carioca?

Bem, começo falando que nunca tinha visto um show com tanta empatia. Dia 06 de janeiro, sábado, Canecão lotado, clima legal. O show começou com poucos minutos de atraso. Tudo funcionando corretamente e em perfeita harmonia.
Afinal faz 6 anos que Chico Buarque não pisava nos palcos do Rio de Janeiro. Estou acostumado com som alto, barulho e suor no palco. Me deparei com tudo ao contrário. Nunca tinha visto um show tão intimista, mas ao mesmo tempo tão grandioso. Muitos reclamam da voz de Chico, mas pra mim isso não é problema. Lembro da frase do grande Lamartine Babo: “não tenho voz, mas tenho vez”; e é por aí que Chico Buarque desafia os chatos puristas.
Não escutei o cd novo, mas o que escutei por lá me agradou. Pelo que presenciei, acho que o show seguiu a tendência do novo CD. Como músico, estava prestando atenção no Chico Batera (percussão) e no grande Wilson das Neves que saiu da bateria pra cantar um samba com Chico Buarque - com direito a uma “sambadinha” (que pra mim foi um dos melhores momentos do show). Wilson das Neves mostrou no pé para o público e para o Chico que não está nem um pouco se guardando para quando o carnaval chegar.
O repertório foi todo lírico com pitadas de crônicas sobre o Rio de Janeiro como na música “Subúrbio”. E se tratando da fase política de Chico não houve nenhuma canção neste quesito. As duas horas de show passaram voando com direito a dois bis tocando sambas empolgantes no final. Mas a última canção da noite foi João e Maria com o público emocionado.
Eu, como fã, esperava duas músicas no repertório: uma era Anos Dourados, mas sabia que seria muito difícil de ouvi-la, e a outra era Futuros Amantes, e que tive a sorte de escutá-la. Pois ao ouvi-la no show foi de um momento único, pois remeteu a algumas coisas da minha vida. Foi um bonito momento, como também foi todo o dia de sábado.
Por Jj Aquino.
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