15/1/07
djangos na disneylandia para adultos

por volta de 1995 eu, carlyle e joão alugamos algumas horas em um estúdio no recreio. após inúmeras fitas demo vagabundas, todas elas gravações de ensaio, dessa vez nos propúnhamos a gravar algo menos indigente. para isso contaríamos com a ajuda de dois amigos que sacavam muito mais de música e produção do que a gente. seus nomes: alexandre kassin e marcelo yuka.
eu havia conhecido o kassin na exibição de um vídeo do mano negra, na casa de cultura laura alvim. um tempo depois o encontraria tocando numa banda muito estranha, o acabou la tequila.
jj aquino, por sua vez, conheceu marcelo num show do planet hempa na rua ceará, no indestrutível garage. ele já havia montado o rappa mas ainda não tinha lançado o primeiro disco, o que viria acontecer depois via wea.
coincidência é que marcelo e kassin já eram amigos e inclusive já haviam trabalhado juntos fazendo discotecagens por aí.

nesse estúdio no recreio, gastamos um dia para gravar as bases e voltamos no outro para mixar. o resultado foi uma demo chamada "concrete django" e nosso nome na época era kamundjangos. por um pequeno desencontro nas agendas, somente marcelo participou das mixagens, pois kassin tinha viajado. constavam nessa demo as três músicas que foram incluídas na coletânea "paredão" (1996/ emi-odeon). aliás, foi graças a essa fita que rafael ramos, leonardo panço e brent hiaett nos selecionaram para o pau-de-sebo, que nos rendeu bastante dividendos.
um pouco depois disso, tanto o rappa como o acabou la tequila gravaram seus respectivos discos solo. o rappa, vocês sabem bem, estourou nas paradas com o segundo disco "rappa-mundi". kassin tornou-se produtor de nome internacional.
o tempo passou e em 1998, lançamos o nosso primeiro disco pela wea, com produção de tom capone e joão barone. por volta de 2000, tom capone, então diretor artístico da nossa gravadora propõe que o nosso segundo disco seja produzido por marcelo, que àquela altura já era um grande nome da mpb. e ele topou.
infelizmente, essa empreitada teve que ficar engavetada por anos, por razões funestamente conhecidas. inclusive a idéia de repetir a dupla kassin/yuka, porém a agenda do produtor dos últimos discos do los hermanos não permitiu.
mas não perderíamos tanto por esperar. há tempos, marcelo ainda mostrava-se disposto a produzir nosso disco. com o fim das obras de seu estúdio na tijuca, batizado de "observatório de ecos", e a parceria entre nós e i-produções, agora sim, os djangos entram pra valer nos trabalhos de seu segundo disco, que por enquanto é independente mesmo.

aconteceu nesse fim de semana. e o que talvez se chame "zona oeste: vingança" começou a ser gestado. em princípio, temos treze faixas e estamos gravando num esquema até então desconhecido por nós. em vez de gravarmos passagens perfeitas de bateria e baixo, yuka prefere gravar as músicas em pedaços para então editá-las via protools, seguindo a cartilha do cut and paste mentalilty. (vide comentário do jj aquino)
no meio das sessões se ocorre alguma idéia, marcelo saca de um controlador oxigen ligado a um reason (software de edição musical) e desenha um arranjo de baixo. assim como pode ser o handsonic, um tabuleiro cheio de pads (disparadores) que emulam vários timbres percussivos típicos de várias partes do planeta.

acompanham os djangos a professora daniela pastore, que pilota a edição em protools, o gente fina e talentoso jomar, que já tocou teclados no mutreta e babão, que é o dj do inumanos e uma enciclopédia musical ambulante . essa salada humana misturada com a parafernália vintage que marcelo yuka juntou em anos, faz com que o estúdio se pareça mais, como o próprio dono disse, "uma disneylândia para adultos".
é nessa atmosfera que os dedé, lyle e jj aquino irão trabalhar por um bom tempo. o resultado: ou nas prateleiras de um algum supermercado ou nas prateleiras da internet. ah, e com certeza em muito mais palcos por aí.
acompanhe conosco.
um abraço a todos.
por a diretoria
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