nos últimos dias passei um bom tempo bisbilhotando o myspace dos outros. por motivos técnicos eu não freqüentava o sítio, mas agora como minha rede tem permitido tenho feito várias visitas e aproveitado para fazer download do que permitem. alguns protocolos da internet ainda me deixam perplexos, algo como "só olho seu fotolog se você olhar o meu e deixar comentário". no myspace é um tal de você mandar mensagem com os seguintes dizeres: "valeu pelo add". na maioria das vezes, soa automático e falso como uma carta pronta para mandar nas horas de aperto.
bem, independente disso o conteúdo do que está disponível impressiona. neguinho não está de bobeira. as bandas estão colocando para jogo muito boas músicas, bem arranjadas e pensadas.
teve uma época em que eu trabalhei cuidando da seção de demos da revista rockpress, a convite da claudinha reitberger. uma grande honra visto que já tinham passado por lá o danúbio aguiar (fanzineiro das antigas) e o fábio seidl (baixista e vocalista do grande ack). olhando aquela época e suas produções caseiras ou em estúdios, vejo que houve um salto enorme. digo isso porque cheguei a um estágio final em que tudo parecia enfadonho demais e não conseguia mais escrever sobre bandas que faziam cópias ou do bad religion ou do rage against the machine. bandas que valessem a pena sumiram e eu fui obrigado a passar o bastão.
estou falando das bandas nacionais, mas o myspace foi abraçado até pelos medalhões internacionais. por intermédio dele você também pode ser "amigo" do beck, do coldplay, do damian marley ou do wayne coyne (flaming lips). eles disponibilizam músicas para serem ouvidas via stream, na sua maioria hits que podem ser baixados em qualquer kazaa da vida ou que foram martelados ad eternum pelas rádios.
voltando ao território doméstico resolvi falar sobre alguns companheiros de batalha: go! e joão xavi, para começar. depois eu falo de outras pepitas. ok???
go!
gerente de estúdio, guitar hero, futuro embaixador do brasil na holanda, membro dos telecats que acompanham érika martins (ex-penélope), bjorn hovland ainda arruma tempo para ser gente fina. conheci sua banda go! quando ela ainda nem falava pois a banda no começo propunha um trabalho instrumental, uma surf music intergaláctica, como uma trilha sonora para o surfista prateado (aliás, foi isso que eu usei na rock press quando resenhei uma demo deles - perdoem a piada repetida). desde aquela época o que me chamou a atenção foram as frases da guitarra de bjorn, com melodias capazes de fazer chorar. hoje os caras resolveram cantar, aliás quando uma banda se propõe a cantar em inglês ou fazer música instrumental, quase nunca ninguém deixa de dar um palpite do tipo "vocês podiam cantar em português, hein?" ou "faz uma música pra gente cantar junto". não sei se foi o caso do go! mas o que importa é que em "nas ondas do rádio", seu novo disco, os caras compuseram músicas nas quais vão além da surf music, deixando escapar uma possível admiração pelo wezeer. "mar da tranquilidade" é um bom exemplo. melodia linda, letra chapada de poeira de estrelas alucinógenas e apaixonadas. os caras capricham nos arranjos vocais fazendo jus aos ensinamentos dos beach boys. o solo de bjorn fecha o elenco de atrativos da música nos deixando intrigado e perguntando: como é que ele faz isso?
completa o line-up, o baixista e vocalista ingo.
o disco está disponível para download em http://rapidshare.com/files/13541216/Go__Nas_ondas_do_r_dio.zip.html
www.myspace.com/1go www.fotolog.com/go123
www.123go.com.br
go!
joão xavi
habitante da baixada fluminense (rj), joão xavi me faz lembrar dos versos do rappa em "me deixa" ("hoje eu desafio o mundo sem sair da minha casa"). não que o cara seja um tipo eremita ou nerd. mas porque hoje com um computador doméstico podemos fazer música e distribuí-la na internet, peitando simbolicamente a comunidade global. alguns fazem isso confeccionando coquetéis molotov, dirigindo documentários ou filiando-se a um partido político. outros compõem rap.
sua abordagem aos temas do cotidiano é muito parecida com a que de leve e shaolin fizeram no primeiro disco do quinto andar. nada de imitação, amigos, mas joão xavi filosofa num tom muito simpático sobre o estilo de vida atual, aquele que consiste em sacrificar os sonhos e as verdadeiras vocações em nome de… de que mesmo, hein?
escutando a introdução de "dias de luta noites de amor" você se sente confuso, não sabendo se está em havana ou belém do pará, não identifica se o sampler vem de algum tema do buena vista social club ou do pinduca. em "o que você seria?" podemos escutar os depoimentos de crianças que falam de suas aspirações para o futuro. um dos garotos dispara: "quero ser polícia". alguém pergunta por quê. "pra num morrê", ingenuamente responde.
(joão nos informou posteriormente, que essas falas foram retiradas de um documentário que ele mesmo dirigiu chamado "1 ano e 1 dia", disponível no google vídeo. clique aqui para vê-lo).
tenho que reconhecer que o cara é muito bom nos refrãos que inventa. é impossível não cantarolar os de "dias de luta" ou o de "suburbana".
joão xavi é assessorado pela galera do beatbass high tech (raphael garcêz & pablo duca), que usa amostras de música brasileira ( como as de baden powell, sérgio mendes e jorge ben) para o seu chão de poesias.
www.myspace.com/joaoxavi
www.joaoxavi.com
joão xavi
por dedé a.k.a. homobono