12/2/07
um minuto de silêncio…
hoje de manhã, tive que pegar um dos vários ônibus piratas que singram da zona oeste em direção à babilônia. a tarifa depende do assento: estando em pé você paga R$ 2 e acomodado R$4. como cortesia, um aparelho de TV dependurado no teto transmite o noticiário bom dia brasil. todos atônitos, afinal quem fala é a mãe do menino joão hélio, morto vocês sabem quando e como. após a repetição da entrevista dada no fantástico, entra em cena alexandre garcia.

incisivo, o jornalista foi beneficamente cruel ao desmascarar as falsas mobilizações que sucedem as tragédias que, de tempos em tempos, espocam nas notícias de jornal. fisgou a atenção de quem viajava no "busão" o rápido histórico de brutalidades que garcia fez desfilar para dar uma refrescadinha na memória: o índio galdino pataxó, tim lopes, a menina carioca gabriela, morta nas escadarias do metrô da tijuca (cujos pais apareceram hoje em outros programas de tv), o casal de adolescentes trucidados em embu (sp), os ataques do crime organizado em são paulo e rio, no fim do ano passado…
agragam-se ao rol de barbáries outros casos nem um pouco notórios, por isso mesmo longe do nosso conhecimento mas que nos deixariam "irremediavelmente" indignados.
ele lembra também que o comportamento do congresso nacional costuma ser o mesmo. projetos de leis com o foco no combate à criminalidade saem provisoriamente do fim da fila e ficam algumas semanas na pauta de votações. passado o descalabro os igualmente revoltados parlamentares voltam às suas demandas corporativistas. algumas semanas são suficientes para a opinião pública voltar à sua letargia.
surge no discurso do jornalista a hipocrisia do brasileiro médio que exige penas mais severas para as monstruosidades mas avança sinal vermelho, sonega impostos, faz barulho no apartamento incomodando os vizinhos, joga lixo no chão sem remorso e se acha o dono da verdade.
bem conveniente também a analogia feita por garcia entre o momento de comoção dos jogadores de flamengo e botafogo, ontem (11/02), no maracanã e a nossa realidade: "a reação dura um minuto de silêncio e o jogo continua".

você pode ler o texto na íntegra aqui.
por dedé a.k.a. homobono
criado por djangos
15:28 — Arquivado em: 

É Homobono a coisa já passou de ser ruim. Infelizmente todos só falam de leis, mas ninguém fala de chances para o povo. Um paÃs com trabalho e educação de qualidade para todos ninguém coloca em pauta. Lógico que as pessoas que cometem este tipo de genocÃdio merecem uma lei mais forte. Mas não esqueçamos que quem tem poder neste pais não são pobres e nem negros.
Comentário por Jj Aquino — 14 de fevereiro de 2007 @ 11:49
O problema desses comentaristas como Alexandre Garcia e Arnaldo Jabor é que parece que eles são a reserva moral da nação. O “brasileiro médio” não é pior do que o “americano médio”.
Comentário por rexblex — 22 de fevereiro de 2007 @ 13:06
concordo plenamente rexblex, mas devo reconhecer que certamente o termo “brasileiro médio” foi uma espécie de grifo meu.
não tenho a ingenuidade de pensar que alguém possa ser a reserva moral de outras pessoas (o brasil p.ex.), mas de vez em quando alguma consideração ou outra são bastante contundentes.
Comentário por dedé aka homobono — 22 de fevereiro de 2007 @ 14:36