26/2/07
obina choque

há tempos eu queria escrever sobre o obina. desde já declaro ser tricolor. aliás, quem acompanha os djangos sabe que nos tempos em que o fluminense despencou para a terceira divisão, nos nossos shows eu cantava o hino tricolor a plenos pulmões, enquanto alguns se calavam e outros riam indiscretamente.
quero deixar claro também que não sou fanático por futebol e só vejo jogo pela televisão quando meu pai está vendo e eu pego o bonde andando. a propósito, a última vez em meu pai me levou ao maracanã, acabou sendo furtado e lá nunca mais voltamos. eu devia ter menos de dez anos.
mesmo não sendo um especialista, não pude deixar de reparar no obina. a começar pelo seu nome, que me remetia a uma banda que existiu nos anos 80 e pelo que eu lembro tocava reggae e outros ritmos caribenhos e africanos. a banda se chamava obina shock.
foi uma chacota do kibeloco que me chamou a atenção. em plena copa do mundo, o tabet publicou, na linha realidade alternativa de hq, que ronaldinho gaúcho havia se contundido e estava fora dos jogos. no seu lugar, parreira havia convocado obina (vide a ilustração abaixo). quando retransmiti o chiste, vi que o pessoal torcia o nariz, lamentava ou simplesmente me amaldiçoava.

lyle diniz, bass hero do djangos e flamenguista, me disse uma vez que obina era "um renato gaúcho que não tinha dado certo". não imagino o porquê desse raciocínio.
algum tempo depois da copa, totalmente por fora do cenário futebolístico, perguntei ao ascensorista do prédio onde trabalho se era verdade mesmo que o obina ia para a seleção. o funcionário, que eu sabia ser torcedor rubro-negro, foi seco e categórico: "não era nem para ele estar no flamengo. ele não é digno do time". fiquei estarrecido. e esse sentimento começou a ficar mais forte quando eu ligava a televisão quando estavam passando os gols da rodada. e lá estava o enjeitado obina aumentando o placar do flamengo, justamente aquilo pelo qual pagavam o seu salário. não compreendi muito bem os trâmites da paixão rubro-negra.
nos jogos mais recentes do flamengo, as coisas pareciam ter mudado sensivelmente. pelo menos comecei a ver que obina era uma figura que despertava amor na torcida, pelo menos numa parcela capaz de entoar "ôôô obina melhoooooooor que eto’o". é claro, que havia outra que zombava de tal afirmação.
ontem, domingo, com a vitória do flamengo sobre o vasco, o time da gávea foi para a final da taça guanabara. displicentemente, vi que obina tinha feito gol mas ignorei a notícia de que ao fazê-lo (antes dos dois minutos do primeiro tempo), havia se machucado seriamente por causa de um buraco no gramado do maracanã (inclusive tem gente dizendo inclusive que isso foi coisa de um tal doutor eurico).
putzzz! e só fui saber disso hoje, pela manhã lendo os jornais online.
enquanto todos os não-flamenguistas estavam comemorando o desfalque fiquei triste pelo cara e ainda mais quando li que vai ter que amargar um período de seis meses sem jogar, para se recuperar.
tremenda sacanagem do destino.
os céus sabem o que estão fazendo.
por dedeh a.k.a. homobono, 33 anos, roquista e tricolor.
criado por djangos
16:31 — Arquivado em: 

Pois é Homobono. Futebol tem dessas coisas. Eu por exemplo sempre fui um craque no futebol, mas preferi tocar bateria(rs). Fazer o q né.
Comentário por Jj Aquino — 27 de fevereiro de 2007 @ 1:51