6/2/07

o trip hop de caetano veloso e gilberto gil está errado. esqueça o haiti. bagdá é aqui. a agora tão propalada atuação das milícias em choque com o tradicional mercado de entorpecentes, nesse fim de semana, mostrou-se uma boa fonte fornecedora de corpos a se contabilizarem.
a exemplo do que fizeram em relação ao iraque, este sítio não traz boas notícias.
1/2/07

Antes do ano novo eu estava procurando o que ler… encontrei lá no quarto do João a biografia “Mais Pesado que o Céu” sobre Kurt Cobain, uma figura que eu continuo a respeitar pela sua obra. E peguei para ler. Admito que demorei a me interessar… logo eu que sou fã da banda. E a redescobri pela história contada pelo jornalista musical Charles R. Cross, que foi a fundo na história do guitarrista.
Se tudo o que foi relatado tiver sido apurado de modo verdadeiro, a mítica em torno da figura de Kurt é pra lá de emblemática, a começar por sua infância de classe média, passando pela desestruturação familiar e culminando nas drogas. Qualquer lacaniano adoraria pegar este caso…
Mas o que mexeu comigo foi a maneira do cabeça do Nirvana se situar diante dos casos perdidos, entre amores, relação com a família e sua filha, Frances. É notório o uso da heroína como aliviadora das dores de estômago que tinha, e que depois passou a ser vício, como qualquer droga. O Nirvana, como toda banda de rock, gostava de fazer shows, tocar, se divertir e ganhar din din. Kurt procurou isso por toda sua adolescência e conseguiu chegar ao topo, mas não conseguia usufruir de nada. Cada dia era uma bomba a ser desarmada. E todos sabiam disso.
Muitos fatos são reveladores, como as mentiras contadas por Kurt a cada entrevista, se fazendo de coitadinho, inventando histórias e, pior, acreditando nelas… dizem que a mentira contada várias vezes vira verdade… bem, era mais ou menos isso que acontecia. Para chegar até o sucesso, o guitarrista calculava todos os passos, desde como ludibriar os homens da máquina fonográfica até chegar ao consumidor, inclusive o que iria dizer a jornais e a seus fãs. Nada de mais… apenas era o jeito dele lidar com novas situações. Ele criou o seu personagem maior: ora assinava Kurt, ora Kurdt.

O nome do livro não é relativo à espessura do volume, mas poderia. Advém do nome da primeira turnê européia do Nirvana, com a banda Tad. Heavier Than Heaven era uma alusão ao tamanho do vocalista Tad Doyle, de 130 quilos.
O texto é fluente e contado como uma pequena história ficcional, em que o autor se permite entrar na cabeça do biografado e assumir idéias e justificativas que os fatos não respondem. Pode até ser uma atitude pouco profissional de Cross, mas satisfaz o desejo do leitor de entender o porquê diabos que aquele cara que finalmente tinha alcançado o topo do mundo tinha que resolver se jogar de lá sem pára-quedas.
É interessante descobrir a paixão de Kurt por anatomia, sua dificuldade com garotas e as circunstâncias das suas composições. E Courtney Love, sua digníssima viúva… teria mandado matar o marido para promover seu disco, que foi lançado logo depois, e coisas do gênero? Não… creio que não… pelo menos é o que o livro nos passa.
É apenas a história de um garoto nascido em um ambiente de merda em Aberdeen que acabaria por transformar o mundo todo em um ambiente de merda - e usar isso como desculpa para fugir.
E, assim como todas as boas histórias, o final é dos mais tristes. Fiquei sabendo por estes dias que o livro vai se transformar em filme… o ator escolhido seria Ewan McGregor, de Trainspotting. Courtney comprou os direitos deste livro… vamos ver o que dá… Lembrei do show que assisti no Hollywood Rock… bizzarro,mas perfeito em todos os erros.

por Alexandre Aquino