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28/3/07

fator damian marley

eu estava lendo o jamaica hi-fi do chico dub um dia desses quando ele decretou que, junto com "hope", do fat freddy’s drop, "welcome to jamrock", de damian "jr gong" marley era "A" música de 2004.
lembro que conheci "welcome…" graças ao urbe. alguém em algum comentário a citou e eu a cacei como se fosse a última das relíquias. quando consegui escutá-la tomei um choque: a música era
f**** pra c*****. hoje é impossível discordar do chico dub.
mas o que é que tinha essa música do damian marley?
pois bem, não tinha nada que acrescentasse ao reggae. usava uma base com um baixo que fala e se cala do começo ao fim, teclados clichês fazendo a percussa no tempo forte da música, alguns efeitos de dub, um sampler do ini kamoze e nada mais. no aspecto objetivo era mais ou menos isso. mas era uma faixa gravada por damian marley e ele não ia deixar isso barato. sua voz entra rasgando numa fúria implacável ao mesmo tempo que essa base clichê não tem como não te deixar ou batendo o pé ou balançado a cabeça ou tudo ao mesmo tempo. resumindo: não trazia nada de novo mas conquistava apaixonados pelo mundo inteiro.
quando eu trabalhava na nave-mãe de uma grande companhia telefônica, circa 2004, escutava via stream a programação da rádio ipanema, de porto alegre. qual não foi minha reação ao escutar damian marley numa tarde enfadonha daquelas. quase explodi na baia, de tanta empolgação. tive vontade de dar um stagedive nos computadores e ganhar uma justa inspirada, mas me contive.
no acústico mtv da alicia keys (hummmmmmm!), lá no finalzinho, podemos vê-la entoando "Out in the streets, they call it murder!", o que parece ser um verso sampleado do ini. é a deixa para damian fazer uma entrada triunfal no palco e deixar neguinho maluco. a cena é f*** e mostra o poder desse diamante bruto do reggae.
bem, nesse momento eu lanço minha teoria chamada "fator damian marley". a música pop parece ter chegado a um momento em que nada se cria e tudo se copia. tudo parece ter sido feito e tentado não deixando muito espaço para originalidade e causando uma paranóia esquizofrênica que nos lança à procura de fórmulas musicais, às vezes bizarras, para satisfazer a sanha desbravadora dos aficionados. é muito fácil acontecer no meio disso tudo uma enorme frustração.

é aí que vem uma música como "welcome to jamrock", cheia de tesão e entusiasmo, usando uma fórmula tradicional e que dinamita qualquer marasmo ou paranóia. seja no reggae, no rock, samba, funk, polka, dub, ska…
é esse fator que eu acredito que nós, aqui nos djangos - e qualquer compositor bem intencionado, perseguimos. é difícil, mas de vez em quando a nossa síndrome bipolar nos concede a miragem de termos conseguido.

 

por dedé a.k.a. homobono 

criado por djangos    17:36 — Arquivado em: Sem categoria

empório

sábado passado, dia 24, aconteceu no empório, em ipanema, a primeira edição da festa "tudo isso". realizada por iniciativa do dinamáquina, o evento tem a intenção de misturar tudo mesmo. os djangos, como entusiastas da misturinha, participaram do evento fechando a trinca de atrações com o próprio dinamáquina e o hitlist de niterói.
eu, joão e lyle chegamos à ipanema acompanhados pelas irmãs caterine e carla vilardo, nossas amigas de longa data. por causa disso, nosso perímetro ficou florido num raio de 20 metros. encontramos mais uma galera que nos proporcionou um tremendo alto astral. como érico a.v., miguel e fabinho (a.k.a. homem-efedrina) do m.e.f3, lismar santos, renato (a.k.a. otaner), os glitter twins rataus e peter (do extinto nabuco on the roxy). isso sem contar a galera das bandas. tomara que eu não esteja esquecendo ninguém. por causa desses encontros o evento foi muito mais social do que musical. todos tinham que ser assim, né?

quem abriu a noite (ou a madrugada) foi o pessoal do hitlist, de niterói. com todos vestidos de preto, estão mais para pré-punk e têm uma postura de palco cheia de pose e marra, assim como manda o figurino do glam, mas sem afetação. rataus e peter, adeptos do gênero, se empolgavam com a performance do grupo, que ainda mandou dois covers bacanas: "dance with myself", billy idol (segundo o vocalista bruno della motta uma versão beta do supla - eu não consegui entender essa piada). aliás o público pediu várias vezes um cover do supla. o outro cover foi "easy", do guns n’roses, minha favorita da banda do axl.
depois vieram os anfitriões do dinamáquina. eu acho que os caras podiam adotar o slogan "tudoissocore", já que a gama de influências da banda é grande. não! eles não tocam death metal nem gabba! mas transitam numa área que pessoalmente me agrada bastante. pelos covers que tocaram (acabou la tequila, chico buarque e mutantes) pode-se ter uma idéia do que seja o dinamáquina.
três coisas me chamaram muito a atenção: 1) o samba quase metalinguístico "mas não consigo" muito simples, eficiente e comovente; 2) as letras das músicas em tons prosaicos e 3) a cor dos olhos do andré monnerat, vocalista da banda, num tom de azul ao mesmo tempo cristalino e bombástico; acho que se tivessem que escolher um ator para fazer o papel do jovem chico buarque, andré seria a melhor escolha.
sobre nossa performance eu pedi para que o rodrigo neves, a.k.a. radar skywalker, jedi, capoeirista e baixista do dinamáquina escrevesse um depoimento a respeito. foi um tiro no escuro. mesmo correndo o risco de
sermos detonados (principalmente eu), como fez o nosso "amigo" césar tramelli a respeito do show  que fizemos no convés (niterói) no início do ano, recebemos as palavras do radar.

"Caras! Eu sempre ouvi muito falar sobre o Djangos, e nunca tinha visto um show nem ouvido um mp3 (que Mole neh). Mas fiquei impressionado com a energia que vocês têm, voces estão tocando e essa energia vai contaminando as outras pessoas. O Som é original (muitas bandas que eu vejo por aí já começam pecando nisso), um som rico (eu sempre que vejo um power trio subir no palco e crio uma baixa espectativa por achar que falta alguma coisa). E isso nao aconteceu com o Djangos, eu vi um entrosamento FODA entre o baixista e o baterista e po a sua presença de palco esbanja alegria!
Com certeza vcs serão uma de minhas referências daqui pra frente.
estou dizendo isso do fundo do coração, sinceridade pura! Pois é assim que eu gosto que as pessoas sejam comigo."

muito obrigado, radar. o cheque segue para sua conta na sexta-feira sem falta. a próxima parada agora é em campo grande, no oest fest. nos vemos lá.

p.s.: tentei postar as fotos feitas pelo amigo lismar, porém o blogger do terra não os visualizou. espero pegar outras fotos.

 

 

por dedé a.k.a. homobono

criado por djangos    14:05 — Arquivado em: Sem categoria

12/3/07

o obina do brit pop

os blogueiros e jornalistas não receberam muito bem "a weekend in the city", o novo disco do bloc party.  disseram-se tão decepcionados que eu, na onda deles, quase retiro o bloc party da minha lista pessoal de downloads pendentes. mas uma vez frente ao computador a força da justiça se apoderou dos meus dedos e os ordenou que ele clicassem nos links apropriados e baixassem aquele arquivo.

o primeiro disco do bloc party, "silent alarm", mereceu muitos aplausos, inclusive desse que vos escreve. a presença de kele okereke como vocalista e guitarrista era um elemento pitoresco demais. diziam que kele, filho de imigrantes nigerianos, cantava que nem robert smith do the cure e que a banda tocava parecido com o gang of four e joy division. isso há quase três anos, quando esse negócio de ficar imitando o pós-punk ainda era uma novidade fresquíssima e rendia alegrias.

músicas desse disco como "banquet""helicopter", com um riff de guitarra arrasador na introdução, ficaram tempos para sair da cabeça. e me chamou a atenção também foi o som do baixo, grave pra c****, e não estalando como a maioria das bandas com acento punk.

sabia-se  que a banda era politizada e tinha preocupações sociais, econômicas e globais. uma banda de combate??? é, parecia.

daí veio o segundo disco e toda aquela expectativa em cima e um monte de gente torceu o nariz. mas por quê?

o motivo eu não sei mas qual o convalescente obina, do flamengo, o bloc party foi meio injustiçado nas considerações gerais. "a weekend in the city" não é esse disco ruim que estão pintando por aí. sem a urgência de "silent alarm", os caras resolveram fazer algo mais elaborado, o que pode ter sido interpretado como "amarelada" ou pasteurização para se adequar ao mercado, o que eu acho ser um raciocínio impróprio também. trata-se de um disco com um conceito diferente do anterior. os arranjos estão mais orquestrais com um punhado de ghost notes e sintetizadores. mas a banda ainda ataca nos riffs como o de "hunting for witches", prima distante de "helicopter".

okereke parece muito atormentado nas letras. no seu coquetel de desesperos entram problemas com a fama, farmacoterapia, maturidade e quem sabe, até com sua sexualidade. não sei ao certo já que meu parco inglês não entendeu muito bem o que ele quis dizer com "I want an ordinary man with ordinary desires". será que é isso mesmo? minha perícia com a língua também estranhou um pouco a métrica toda quebrada, com as sílabas das letras separadas de modo estranho, compremetendo um pouco a musicalidade do disco.

na segunda metade do disco o clima fica mais ameno com as músicas começando como se fossem tocar "I still haven’t found what I’m looking for", do u2. inclusive, pelos diversos arpejos suaves de guitarra com delay, pode-se até pensar que se tratam de trechos executados por the edge (vide o refrão de "sunday").

talvez a massa quisesse algo mais urgente ainda, algo mais visceral,  o que não aconteceu. porém, isso não tira o brilho do álbum e o mérito da banda. não sei se é o caso do disco que cresce a cada audição, talvez não. mas "a weekend…" merece ser ouvido com carinho e atenção.

 

 

 

por dedé a.k.a. homobono

criado por djangos    10:58 — Arquivado em: Sem categoria

8/3/07

da série: antepassados

…e se eu chegasse para vocês e proclamasse que lampião é o pai do manguebit?

bem, guardadas as devidas proporções e descontada a minha viagem (voluntária), foi mais ou menos isso que o publicitário e designer george lois quis dizer a respeito da conexão entre o boxeador muhammad ali e o rap.

você pode conferir mais detalhes dessa teoria aqui.

agradeço à juliana frança por essa dica.

 

 

 

por dedé a.k.a. homobono

criado por djangos    15:48 — Arquivado em: Sem categoria
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