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12/3/07

o obina do brit pop

os blogueiros e jornalistas não receberam muito bem "a weekend in the city", o novo disco do bloc party.  disseram-se tão decepcionados que eu, na onda deles, quase retiro o bloc party da minha lista pessoal de downloads pendentes. mas uma vez frente ao computador a força da justiça se apoderou dos meus dedos e os ordenou que ele clicassem nos links apropriados e baixassem aquele arquivo.

o primeiro disco do bloc party, "silent alarm", mereceu muitos aplausos, inclusive desse que vos escreve. a presença de kele okereke como vocalista e guitarrista era um elemento pitoresco demais. diziam que kele, filho de imigrantes nigerianos, cantava que nem robert smith do the cure e que a banda tocava parecido com o gang of four e joy division. isso há quase três anos, quando esse negócio de ficar imitando o pós-punk ainda era uma novidade fresquíssima e rendia alegrias.

músicas desse disco como "banquet""helicopter", com um riff de guitarra arrasador na introdução, ficaram tempos para sair da cabeça. e me chamou a atenção também foi o som do baixo, grave pra c****, e não estalando como a maioria das bandas com acento punk.

sabia-se  que a banda era politizada e tinha preocupações sociais, econômicas e globais. uma banda de combate??? é, parecia.

daí veio o segundo disco e toda aquela expectativa em cima e um monte de gente torceu o nariz. mas por quê?

o motivo eu não sei mas qual o convalescente obina, do flamengo, o bloc party foi meio injustiçado nas considerações gerais. "a weekend in the city" não é esse disco ruim que estão pintando por aí. sem a urgência de "silent alarm", os caras resolveram fazer algo mais elaborado, o que pode ter sido interpretado como "amarelada" ou pasteurização para se adequar ao mercado, o que eu acho ser um raciocínio impróprio também. trata-se de um disco com um conceito diferente do anterior. os arranjos estão mais orquestrais com um punhado de ghost notes e sintetizadores. mas a banda ainda ataca nos riffs como o de "hunting for witches", prima distante de "helicopter".

okereke parece muito atormentado nas letras. no seu coquetel de desesperos entram problemas com a fama, farmacoterapia, maturidade e quem sabe, até com sua sexualidade. não sei ao certo já que meu parco inglês não entendeu muito bem o que ele quis dizer com "I want an ordinary man with ordinary desires". será que é isso mesmo? minha perícia com a língua também estranhou um pouco a métrica toda quebrada, com as sílabas das letras separadas de modo estranho, compremetendo um pouco a musicalidade do disco.

na segunda metade do disco o clima fica mais ameno com as músicas começando como se fossem tocar "I still haven’t found what I’m looking for", do u2. inclusive, pelos diversos arpejos suaves de guitarra com delay, pode-se até pensar que se tratam de trechos executados por the edge (vide o refrão de "sunday").

talvez a massa quisesse algo mais urgente ainda, algo mais visceral,  o que não aconteceu. porém, isso não tira o brilho do álbum e o mérito da banda. não sei se é o caso do disco que cresce a cada audição, talvez não. mas "a weekend…" merece ser ouvido com carinho e atenção.

 

 

 

por dedé a.k.a. homobono

criado por djangos    10:58 — Arquivado em: Sem categoria
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