djangos

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2/4/07

disneylândia para adultos 3

após um breve intervalo retomamos os trabalhos no observatório de ecos e fechamos a primeira fase acabando com os registros de bateria e baixo (em princípio).
na verdade, não tratamos simplesmente de gravar o baixo e bateria. houve uma reformulação nas duas últimas músicas que faltavam: "teresa"* e "agora não mais".
originalmente, a primeira era uma balada mais pura. algo semelhante a que o roberto carlos (safra 60/70) faria se conhecesse um pouquinho de rap (sem pretensão). yuka sugeriu que fosse adicionada uma levada de bateria do tipo one drop. isso resultou num clima totalmente diferente que me remeteu a massive attack, porém sem ser obscuro ou dark.
"agora não mais", por sua vez, sofreu uma mudança drástica. mantivemos seu refrão mas mudamos sua parte a. "first, I was affraid/ I was petrified (…)". fiquei preocupado, me perguntando se aquela mudança era mesmo necessária. contam aí o apego e o costume com a música orbitando há tempos em nossas mentes. mas já que nos foi dado o desafio, fomos em frente e mudamos. após muita saliva, gases digestivos (como isso dói), dores nas costas e na cabeça chegamos a um formato muito diferente. eu que estava meio hesitante ainda até agora não consigo tirar a versão nova da cabeça, o que significa que a mudança foi salutar. ainda mais que yuka tocou algumas frases no inefável casiotone, enquanto jomar schrank fez uma segunda guitarra e tocou fender rhodes, dando um clima etéreo que não havia antes. tô doido para escutar isso tudo pronto.

mais fotos na nossa galeria em www.djangos.com.br/html/fotos.html

 

* balada com nome de mulher, mas que faz referência à corda feita com lençóis e outros panos por presidiários para fugir dos diversos regimes prisionais espalhados pelo mundo.

por dedé a.k.a. homobono

criado por djangos    17:32 — Arquivado em: Sem categoria

a concorrência 3

nove
eu havia feito o download das quatro músicas disponíveis no site do nove e fui para casa. peguei o coletivo que faz a maior volta e desmaiei de tanto sono. com os ouvidos abastecidos pelo meu i-pobre eu escutava o som lá no fundo, enquanto visualizava paraísos terrestres incompatíveis com
o meu bolso. a voz de rodrigo dracxler (vocalista e guitarrista) falava de um monte de coisa, mas eu captei justa e somente a parte em que se falava de angústias e desencontros. logo, naquele estado de letargia de ônibus, cometi uma leviandade e cheguei à conclusão: o nove é emo.
enviei uma mensagem ao mesmo rodrigo, falando de minhas impressões mas não obtive nenhuma resposta. numa segunda audição mais atenta eu vi que minha percepção havia sido muito imprecisa.
por acaso, tive a chance de falar isso pessoalmente para o rodrigo, que me assegurou que todos no nove têm afinidade com as bandas que levam um som dito emocore. mas frisou: "não é nossa intenção".
minha audição mais apurada percebeu que a banda tem uma sonoridade punk, aquelas coisas de power chords monstruosos e que muita coisa das melodias remete justamente a uma banda que não tem nada ver com essa história: o ira! "celebrar" mostra isso. a mixagem brinca com a voz de rodrigo fazendo um contraponto e brincando com o pan da mesa de som (botão que determina se o som vem da direita, da esquerda ou do centro). a mesma música tem um riff de guitarra muito típico de bandas da década de 80.
em "afinidade", a introdução lembra muito the who e the clash, com os acordes de guitarras reprocessados pelo filtro das gerações. a voz de rodrigo chega a lembrar a de nasi, do supracitado ira! o instrumental desse refrão confere um clima muito propício para rodas de pogo.
"copo de cerveja" talvez seja a culpada por eu ter achado o som do nove algo emo, por causa de sua letra. com um clima cheio de dedilhados e frases bonitas (modest mouse na cabeça, outra referência inusitada), o nove tem uma bela música nas mãos e pode chamar a atenção de quem gosta do fresno, por exemplo.

www.myspace.com/nove

nove

abaixo de zero

eu me lembro de ter falado do abaixo de zero, da nossa querida niterói, na underground playground, a seção de demos da rock press. o que veio parar nas minhas mãos foi uma fita cassete muita estranha, a famigerada fita-demo. a peça continha gravações com um jeito de gravação caseira e dentre as músicas me
lembro que havia uma versão para "boys don’t cry" (the cure) e uma remix feita por um maluco sobre a qual escrevi que parecia trilha sonora de um filme dos trapalhões, na parte triste (o que não era nenhum demérito já que sou muito fã desses filmes).
comentei isso com o mattoso, vocalista e guitarrista, via comentário do myspace, que a gravação era tosca e ele reconheceu que sim. mas eu queria retificar aqui que tosco não é sinônimo ruim. e de tosqueira a gente entende, afinal os djangos gravaram muitas coisas assim.
depois de tanto tempo houve uma evolução muito grande com o adz. isso é inegável e eu sofri um impacto muito forte ao escutar as quatro músicas do myspace. tenho que confessar que não é o tipo de música da qual eu compro disco e tal, mas o que está registrado está muito bem composto e
executado com bom gosto e inspiração. da voz do mattoso e passando pelas guitarras e baterias, tudo está em seu devido lugar, em arranjos enxutos e eficientes.
eu não sei se foi de propósito ou por acaso mas duas músicas fazem referência aos elementos meteorológicos e adjacências. coisa como vento, mar, onda, vela de barco, chuva, pedras do arpoador…porém, driblando o possível incômodo da repetição "me levar" e "deixa" são duas pedradas que compensam. minha faixa presidenciável é "me levar", música dramática e urgente (os temas são sentimentais) com refrão simples e explosivo. parece um pouco radio taxi, banda que gravou "garota dourada" (hit total dos anos 80), e tem um solinho arrebatador de
sintetizador (ou seria uma guitarra com e-bow?).
"deixa" tem uma pulsação muito boa e guitarras com acordes agudinhos. o resultado não poderia ser outro que não uma faixa dançante. 
violões predominam em "la bella victoria" onde mattoso mostra a ótima voz. no meu i-pobre as músicas ficam em ordem alfabética. assim a última faixa que é "quanto e mais". eles dizem ter influências de ash, the smiths, duran duran, the killers, beatles… mas "quanto…" tem uma gradiloquência igual à do muse e tem uma levada de bateria instigante.
repito: muito bem executado e produzido, mostrando que abaixo de zero pode ser a temperatura física mas não a emocional.
www.myspace.com/abaixodezero
www.abaixodezero.net

 

abaixo de zero

por dedé a.k.a. homobono

criado por djangos    13:54 — Arquivado em: Sem categoria
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