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9/4/07

futuro embaixador na jamaica

aqui quem fala é dedé. rexblex é meu companheiro de labuta. trabalha na mesma empresa que eu. é fã de reggae, dub, black music em geral e bons sons (ele tem sido meu fornecedor de arquivos ilegais de música comprimida. você pode ler um pouco do que ele é em http://rexblex100mg.blogspot.com.
ele estuda comércio exterior. eu rezo para que ele se dê bem na vida e seja representante de alguma empresa brasileira na jamaica. assim, economizaria uma boa grana do hotel ou do albergue da juventude.
hoje, pela tarde rexblex adentrou no nosso gabinete e pôs-se a bradar sobre "300", filme baseado na hq de frank miller (meu muso). num determinado momento eu o interpelei: "cara, não fale mais nada! por favor escreva isso para o nosso blog", no que ele não teve pena nem pestanejou: "demorou!!!".
então, está aí.

valeu rexblex

"Cheguei a conclusão de que a melhor forma de falar sobre "300" é fazer uma analogia com um disco de vinil, tem o lado A e o lado B. O lado A é o que qualquer criança vê, o filme é um épico trash homoerótico. Um milkshake de sangue, espadas, músculos e testosterona. A Batalha de Termópolis, na visão de Frank Miller, é a bravura do rei Leonidas e seus 300 espartanos defendendo-se das hordas bizarras do oriente comandadas por Xerxes. No filme não há espaço para sutileza nem detalhes políticos. A virilidade dos 300 e seu rei contrastam com a podridão do ambiente político. Leonidas não tem paciência nem estômago para negociações, vai a guerra com o peito desnudo e a lança na mão. Pitadas de humor são destiladas em vários momentos do filme pelo Rei Leonidas, como quando ele refere-se aos gregos como "filósofos pederastas". Quando o exército persa chega o público não tem como saber se trata-se de um exército ou de uma escola de samba. Carros alegóricos, animais exóticos, seres grotescos e mascarados dominam a tela. Quando as cabeças começam a rolar o público é lembrado que estamos falando de guerra. A carnificina é então empastelada em cenas que confundem o nojento com o cômico, no melhor estilo norte-americano. Em muitos momentos me senti sem ar, o excesso de testosterona sufoca e se não fosse as aparições esporádicas da bela Lena Headey, interpretando a rainha de Esparta, sairia correndo do filme em busca de ar fresco.
O lado B do filme é o não dito que é evidente. As prerrogativas artísticas de Frank Miller em exagerar na tinta para transformar Leonidas em um He-man e Xerxes em um transformista sádico, não o isentam de ter produzido um panfleto belicista conservador. O choque de civilizações está sendo
narrado a toda hora nos noticiários. Transformar hesitação em fraqueza, política em mesquinharia e subordinação em lealdade é o que mais tem feito o atual presidente dos Estados Unidos. Por outro lado, a intolerância religiosa tem se esforçado em calar a livre manifestação artística.
Como não tenho esperanças de que tão cedo conseguiremos dosar responsabilidade e liberdade, rufarão os tambores de guerra. No conflito de civilizações não há humor, glória ou bravura; só terror, medo e destruição.
Enfim para os de bom coração e sadios de cabeça não há nada que preste em "300" que não seja apreciar o desfile de corpos bem torneados. As mulheres e gays nunca estiveram tão bem servidas neste quesito. Aos homens resta ficar aguardando os momentos que a rainha espartana aparece. Se está querendo ver um bom filme vá ver "Scoop" de Woody Allen enquanto ainda está em cartaz. "

 

 

por rexblex

criado por djangos    17:51 — Arquivado em: Sem categoria
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