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28/6/07

você é minha irmã

tanto se falou. tanto se indignou. toneladas de cartas na seção de
opinião dos leitores dos jornais, blogs e revistas condenaram a
brutalidade sem razão.
mas confesso que o que doeu mesmo, por mais simples e prosaico que
tenha sido, e como se fosse a última gota de ácido sulfúrico na
testa, foram as imagens que mostraram você saindo do trabalho,
sorridente e aliviada pelo fim de mais um expediente, dando
tchauzinho para o porteiro e minutos depois voltando despida de seus
pertences, do seu sorriso e de sua paz. "o que foi que aconteceu
contigo?"
, eu perguntaria se estivesse assistindo às cenas fora do
contexto. mas eu já sabia da resposta. já tinha visto as
reconstituições das emissoras e montado o ocorrido na minha mente.
e se fosse minha irmã? e se fosse minha mãe?
minhas perguntas na verdade me fazem voltar à realidade.
você já é minha irmã, sirlei.
galdino era meu tio.
joão hélio era meu sobrinho.
tim lopes era meu pai.
a missionária doroty stang era minha mãe.
a menina gabriela da tijuca(rj) era minha filha.
felipe caffé e liana friedenbach, do embu(sp), eram meus primos.
a fonoaudióloga márcia maria, de santa teresa(rj), era minha esposa.

 

 

por marco homobono

 

criado por djangos    15:27 — Arquivado em: Sem categoria

AMOR E ALEGRIA

 

Foi emocionante o lançamento do livro do grande fotógrafo e radialista Maurício Valladares,  que traz toda a trajetória dos Paralamas do Sucesso, com fotos do próprio MalVal e texto de Arthur Dapieve. Foi de uma imensa alegria estar ao lado dos mestres, cuja carreira acompanhei durante todos estes anos. Confesso que fiquei emocionado ao lado de Herbert, no momento tentei falar algo mas a única coisa que esbocei foi o seu nome. Logo em seguida fui recebido por um beijo no rosto que retribui de maneira espontânea. Na verdade não esperava tal situação e sinceramente fiquei muito emocionado (novamente!rs). Foi um momento único, de muita espiritualidade, e que só foi cair à ficha mais tarde.


Vi como existe ali uma irmandade verdadeira. E que as pessoas que estiveram ao longo dos anos com os Paralamas são do bem total. Bi, Herbert e Barone são uma grande influência musical e de banda pra mim. Pois vejo que a amizade é de suma importância e eles só são os Paralamas porque gostam de estar juntos fazendo música, tomado porre, conversando besteira… Sei lá.


Foi um fim de tarde de bate papo de muita alegria e amor.
Viva os Paralamas do Sucesso!!!!

 

por JJ Aquino

criado por djangos    10:23 — Arquivado em: Sem categoria

19/6/07

kama sutra do metrô

calma, gente. não é o que vocês estão pensando. mas até que poderia.
hoje ao abrir a mala direta do césar maia, (que ele chama de ex-blog)
deparei-me com um link sobre o metrô do rio de janeiro.
por meio de um vídeo institucional da metrôrio disponível no youtube,
vemos a atual situação bovina e o que se espera que seja feito num futuro
próximo para desafogar e dignificar o uso desse meio de transporte,
através de novas obras, o que elevaria, segundo cálculo deles mesmos,
o número de passageiros de 500.000 para 1.100.000 por dia.
quem anda de metrô sabe que a metáfora da lata de sardinha já era. os
trens só andam lotados e se assemelham mais com ervilhas em conserva.
no horário do rush (sem direito a "tom sawier") experimente mudar as
mãos ou os pés de lugar. é caminho sem volta e pode acontecer de você
ter que se escorar num coleguinha para disfarçar o desequilíbrio - e
quem sabe ser tachado de "assediador". cair no chão é impossível por
causa da densa muvuca.
achei que o vídeo tem um inesperado tom de meaculpa e não consegui
vê-lo até o fim devido à minha conexão.
já que são feitas algumas promessas de melhora, eu fiquei imaginando
que enquanto isso não chega, a concessionária bem que poderia
oferecer oficinas gratuitas ensinando como se comportar nas
composições. algo como um kamasutra misturado com ioga e técnicas de
homem-estátua. enfim, algo simples assim para compessar o estresse de todos os dias de martírio.
então, boa viagem.

 

 

por dedé a.k.a. homobono

criado por djangos    12:20 — Arquivado em: Sem categoria

do correio caros amigos

recebo, com certa freqüência, a mala direta da revista "caros amigos", que sempre traz um texto pertinente. com a proximidade do pan 2007, além da constatação que há uma tácita e imensa torcida para que dê tudo errado, torna-se conveniente saber o que se passa nos bastidores da preparação dos jogos.

eu e carlyle diniz (nosso baixista) moramos perto da cidade de deus. há muito tempo se escutam rumores de que a milícia quer juntar 1.200 homens (há quem fale em 2.000) num efetivo para se tomar o controle da favela das mãos do tráfico. não sei se isso é verdade ou não mas sei que quase todos os dias ouvimos o som de diversos disparos do que parecem ser fuzis, metralhadoras, granadas e escopetas. para onde vão tantas balas?

até onde se sabe, a milícia não logrou no seu intento. mas como eles são brasileiros e não desistem nunca  a luta continua. esse parece ser só mais uma ação de higienização e pacificação cosméticas do poder público para deixar tudo maravilhoso para quando os esperados 300.000 turistas chegarem.

coitadinhos.

 

 

por dedé aka homobono

 

o cauê de andré dahmer

 

 

 

A violência e o Pan

por Renato Prata Biar

Quando tiver início o PAN 2007 aqui no Rio de Janeiro, eu espero que os atletas brasileiros tenham a consciência de que quando eles estiverem no alto do podium recebendo suas medalhas, sejam elas de ouro, prata ou bronze, essas estarão todas manchadas com o sangue de pessoas inocentes que estão sendo massacradas nos morros, favelas e periferias da Cidade maravilhosa. Parece que o poder público, que mais se parece com um poder paralelo, não ficou satisfeito apenas com o trabalho desenvolvido pelas milícias, apoiadas por ele próprio, — fato este denunciado pela diretora-presidente do Instituto de Segurança Pública do Estado, Ana Paula Miranda, numa entrevista concedida para a edição nº: 119 desta revista – e resolveu usar o seu “direito” ao monopólio da violência com um desdém e um descaso pela vida humana que impressiona pelo grau de crueldade.

A polícia tem feito incursões nos morros e favelas de modo irresponsável e covarde, pois algumas dessas operações se iniciam por volta de 07:00 e 08:00hs da manhã. Até o mais imbecil, idiota e estúpido ser humano da face da Terra sabe que este é o horário em que a maioria das pessoas estão saindo, ou para trabalhar, ou para levar os seus filhos para a escola ou creche. E quando alguém é atingido nessas trocas de tiro, vemos o governador, o secretário de segurança, em suma, as autoridades (in)competentes, dizer que a polícia fez o seu trabalho corretamente, e que ela só reagiu porque foi recebida à tiros. Ora, quem tem a obrigação de zelar pela vida, a segurança e o bem-estar dos cidadãos é o poder constituído do Estado, e não o marginal; caso contrário este não seria marginal (aquele que está à margem da lei) e aquele não seria um poder legitimamente constituído. Opa! Será que eu decifrei o enigma?!

Somente no dia 06 de maio, cerca de treze pessoas foram feridas à tiro (uma delas de modo fatal) durante as operações da polícia, e, pasmem, não havia nenhum bandido entre as vítimas.O governador Sérgio Cabral declarou, durante uma entrevista à imprensa, que lamentava o ocorrido mas que não iria parar com essas ofensivas, pois não há outra maneira de se combater esses criminosos. Provavelmente, para o governador, a polícia só deve utilizar a inteligência quando os criminosos forem desembargadores, juízes, políticos, bicheiros, empresários, etc. . Apenas gostaria de informar ao governador, que nos morros e favelas não há indústria bélica, plantação de maconha ou produção de cocaína. Inclusive esta última tem, no éter, o seu principal produto para se obter o refino da coca, e eu não me lembro de ninguém que tenha pensado em exigir das indústrias farmacêuticas um controle rígido para a venda dessa substância. É por essas e outras que eu não posso deixar de lembrar do velho Marx quando este dizia já em 1847, no Manifesto do Partido Comunista, que o Estado nada mais é do que um comitê da burguesia, para satisfazer seus interesses econômicos, políticos e sociais, e assim, manter-se como classe dominante.

Esses movimentos e ONGs que se dizem “pela paz”, “da paz”, “contra a violência”, etc., ao invés de ficarem plantando rosas e colocando cruzes nas areias de Copacabana para contar os mortos, deveriam se juntar e propôr aos atletas e a população de um modo geral um verdadeiro boicote ao PAN 2007 e a tudo que se relacione com este evento. O seu custo financeiro (cerca de 2 bilhões de reais) bancado pelos cofres públicos, e, principalmente, o seu custo em vidas humanas – e não se trata só de mortos e feridos à bala, mas também de despejos de comunidades inteiras que moram há cerca de 20 à 30 anos no mesmo local, e que estão sendo retiradas de suas casas para melhorar o “visual” turístico do Rio – me parecem caros demais, independentemente de qual fosse o motivo. Como dizia o saudoso Dr. José Róiz numa frase que virou título de seu livro: “O esporte mata!”. E como mata!

 

Renato Prata Biar é historiador.pratabiar@yahoo.com.br

criado por djangos    11:46 — Arquivado em: Sem categoria

1/6/07

circulando: o retorno

toda a vez que olho para os tapumes levo um susto: "lauryn hill no
aterro do flamengo"
. imediatamente penso que haverá um show de graça
em frente ao monumento dos pracinhas, num dia de sol bonito e logo
com aquela mulher que cantava nos fugees. mas depois que minha
memória ram orgânica é ultrapassada, o processador atina que o show é
pago e acontece naquele tal de vivo rio.
lembrei de uma vez que fui ver um show do lobão, circa 1990,
exatamente lá em frente ao monumento dos pracinhas.  era uma época em que lobão cantava "essa noite não" nas rádios bombando geral.
naquele dia, lembro que lobão entrou  e começou a tocar "quem quer votar" aquela música que diz "a política faliu/não dá pra acreditar/até o que é civil/parece militar". um punk rock foda.

assim que começou a cantar a letra, lobão interrompeu o show e perguntou naquele tom mordaz: "o som tá legal aí???".

alguém deve ter respondido não ou então se tratava de uma pergunta retórica, pois podia ser o retorno que não estava bom e isso incomodaria mais à banda, é óbvio, do que ao público. "então, passa direito essa porra que a gente toca depois que ficar bom", bradou e se retirou sendo seguido pela banda.
vieram os técnicos e roadies e passaram o som na frente da multidão.
depois de alguns minutos o show começou mais uma vez para deleite da turma.
dia bacana aquele.

anos depois, lobão brigou com as gravadoras, lutou pela numeração dos lotes de cds, criou uma revista maneira ("outra coisa"), cuidou de sua gengiva,  jogou bosta no ventilador e… hoje, alguém tem notícia dele?

dddddddddddddddddddddddddddddddddddddddddddddddddddddddddd

séculos depois de terem descoberto a pólvora, descubro a função
"shuffle" ou "random" do meu i-pobre. pronto, não preciso mais de
rádio. que grande novidade, hein?
é bom escutar na seqüência algo como:
"como te extraño mi amor" - café tacuba
"neighborhood #2(laika)" - arcade fire
"high noon" - dj shadow
"algum sentido" - stellabella
"someone to call my lover" - janet jackson
"i’m alive version" - horace andy
"confesso que errei" - rockz
"thieves like us" - new order
"plant up a vineyard-yard" - lone ranger
"sunset gun" - damage manual

ninguém pediu, mas acabei fornecendo meu top ten do dia.

dddddddddddddddddddddddddddddddddddddddddddddddddddddddddd

ele largava a baia no quinto andar daquele prédio cinza da rua do
lavradio aproximadamente às 22h. escorregava pela via congestionada
de turistas, vagabundos e cozinheiros de unhas sujas e chegava à
semi-deserta praça tiradentes.
emburacava no ônibus que seguia pela leopoldina e avenida brasil e
alcançava a linha amarela. nesse trecho entre rodoviária novo rio e
caju, nota um distúrbio na força que o faz olhar pra trás, dando de
cara com um esperto portando uma pistola. "qual é o som aí,
brother?", pergunta o que parece ser um líder de outros dois que
angariam objetos de valor dos outros confrades de coletivo. rapidinho
nota o discman do nosso personagem que fica mudo ou quase. "m-música". "que música porra?", insiste o chefe ficando nervosinho.
"avalanches", revela.
o chefe vai ao motorista, pede-lhe que ônibus faça uma pequena parada
no viaduto de benfica e se encaminha para a traseira do ônibus. o outro sequaz quer arrecadar o discman mas é demovido da idéia com uma batidinha de ombro. "deixa que o amigo aí é underground".
somem na escuridão.

por dedé a.k.a. homobono

criado por djangos    11:03 — Arquivado em: Sem categoria
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