djangos

ecumenismo ritmo cores inquietação baixonoestômago amplificadores valvulados de mentira jamaica observação cozinhaeveneno futebol-arte triphopensolarado catarse www.djangos.com.br

19/6/07

kama sutra do metrô

calma, gente. não é o que vocês estão pensando. mas até que poderia.
hoje ao abrir a mala direta do césar maia, (que ele chama de ex-blog)
deparei-me com um link sobre o metrô do rio de janeiro.
por meio de um vídeo institucional da metrôrio disponível no youtube,
vemos a atual situação bovina e o que se espera que seja feito num futuro
próximo para desafogar e dignificar o uso desse meio de transporte,
através de novas obras, o que elevaria, segundo cálculo deles mesmos,
o número de passageiros de 500.000 para 1.100.000 por dia.
quem anda de metrô sabe que a metáfora da lata de sardinha já era. os
trens só andam lotados e se assemelham mais com ervilhas em conserva.
no horário do rush (sem direito a "tom sawier") experimente mudar as
mãos ou os pés de lugar. é caminho sem volta e pode acontecer de você
ter que se escorar num coleguinha para disfarçar o desequilíbrio - e
quem sabe ser tachado de "assediador". cair no chão é impossível por
causa da densa muvuca.
achei que o vídeo tem um inesperado tom de meaculpa e não consegui
vê-lo até o fim devido à minha conexão.
já que são feitas algumas promessas de melhora, eu fiquei imaginando
que enquanto isso não chega, a concessionária bem que poderia
oferecer oficinas gratuitas ensinando como se comportar nas
composições. algo como um kamasutra misturado com ioga e técnicas de
homem-estátua. enfim, algo simples assim para compessar o estresse de todos os dias de martírio.
então, boa viagem.

 

 

por dedé a.k.a. homobono

criado por djangos    12:20 — Arquivado em: Sem categoria

do correio caros amigos

recebo, com certa freqüência, a mala direta da revista "caros amigos", que sempre traz um texto pertinente. com a proximidade do pan 2007, além da constatação que há uma tácita e imensa torcida para que dê tudo errado, torna-se conveniente saber o que se passa nos bastidores da preparação dos jogos.

eu e carlyle diniz (nosso baixista) moramos perto da cidade de deus. há muito tempo se escutam rumores de que a milícia quer juntar 1.200 homens (há quem fale em 2.000) num efetivo para se tomar o controle da favela das mãos do tráfico. não sei se isso é verdade ou não mas sei que quase todos os dias ouvimos o som de diversos disparos do que parecem ser fuzis, metralhadoras, granadas e escopetas. para onde vão tantas balas?

até onde se sabe, a milícia não logrou no seu intento. mas como eles são brasileiros e não desistem nunca  a luta continua. esse parece ser só mais uma ação de higienização e pacificação cosméticas do poder público para deixar tudo maravilhoso para quando os esperados 300.000 turistas chegarem.

coitadinhos.

 

 

por dedé aka homobono

 

o cauê de andré dahmer

 

 

 

A violência e o Pan

por Renato Prata Biar

Quando tiver início o PAN 2007 aqui no Rio de Janeiro, eu espero que os atletas brasileiros tenham a consciência de que quando eles estiverem no alto do podium recebendo suas medalhas, sejam elas de ouro, prata ou bronze, essas estarão todas manchadas com o sangue de pessoas inocentes que estão sendo massacradas nos morros, favelas e periferias da Cidade maravilhosa. Parece que o poder público, que mais se parece com um poder paralelo, não ficou satisfeito apenas com o trabalho desenvolvido pelas milícias, apoiadas por ele próprio, — fato este denunciado pela diretora-presidente do Instituto de Segurança Pública do Estado, Ana Paula Miranda, numa entrevista concedida para a edição nº: 119 desta revista – e resolveu usar o seu “direito” ao monopólio da violência com um desdém e um descaso pela vida humana que impressiona pelo grau de crueldade.

A polícia tem feito incursões nos morros e favelas de modo irresponsável e covarde, pois algumas dessas operações se iniciam por volta de 07:00 e 08:00hs da manhã. Até o mais imbecil, idiota e estúpido ser humano da face da Terra sabe que este é o horário em que a maioria das pessoas estão saindo, ou para trabalhar, ou para levar os seus filhos para a escola ou creche. E quando alguém é atingido nessas trocas de tiro, vemos o governador, o secretário de segurança, em suma, as autoridades (in)competentes, dizer que a polícia fez o seu trabalho corretamente, e que ela só reagiu porque foi recebida à tiros. Ora, quem tem a obrigação de zelar pela vida, a segurança e o bem-estar dos cidadãos é o poder constituído do Estado, e não o marginal; caso contrário este não seria marginal (aquele que está à margem da lei) e aquele não seria um poder legitimamente constituído. Opa! Será que eu decifrei o enigma?!

Somente no dia 06 de maio, cerca de treze pessoas foram feridas à tiro (uma delas de modo fatal) durante as operações da polícia, e, pasmem, não havia nenhum bandido entre as vítimas.O governador Sérgio Cabral declarou, durante uma entrevista à imprensa, que lamentava o ocorrido mas que não iria parar com essas ofensivas, pois não há outra maneira de se combater esses criminosos. Provavelmente, para o governador, a polícia só deve utilizar a inteligência quando os criminosos forem desembargadores, juízes, políticos, bicheiros, empresários, etc. . Apenas gostaria de informar ao governador, que nos morros e favelas não há indústria bélica, plantação de maconha ou produção de cocaína. Inclusive esta última tem, no éter, o seu principal produto para se obter o refino da coca, e eu não me lembro de ninguém que tenha pensado em exigir das indústrias farmacêuticas um controle rígido para a venda dessa substância. É por essas e outras que eu não posso deixar de lembrar do velho Marx quando este dizia já em 1847, no Manifesto do Partido Comunista, que o Estado nada mais é do que um comitê da burguesia, para satisfazer seus interesses econômicos, políticos e sociais, e assim, manter-se como classe dominante.

Esses movimentos e ONGs que se dizem “pela paz”, “da paz”, “contra a violência”, etc., ao invés de ficarem plantando rosas e colocando cruzes nas areias de Copacabana para contar os mortos, deveriam se juntar e propôr aos atletas e a população de um modo geral um verdadeiro boicote ao PAN 2007 e a tudo que se relacione com este evento. O seu custo financeiro (cerca de 2 bilhões de reais) bancado pelos cofres públicos, e, principalmente, o seu custo em vidas humanas – e não se trata só de mortos e feridos à bala, mas também de despejos de comunidades inteiras que moram há cerca de 20 à 30 anos no mesmo local, e que estão sendo retiradas de suas casas para melhorar o “visual” turístico do Rio – me parecem caros demais, independentemente de qual fosse o motivo. Como dizia o saudoso Dr. José Róiz numa frase que virou título de seu livro: “O esporte mata!”. E como mata!

 

Renato Prata Biar é historiador.pratabiar@yahoo.com.br

criado por djangos    11:46 — Arquivado em: Sem categoria
Report abuse Close
Am I a spambot? yes definately
http://djangos.blog.terra.com.br
 
 
 
Thank you Close

Sua denúncia foi enviada.

Em breve estaremos processando seu chamado para tomar as providências necessárias. Esperamos que continue aproveitando o serviço e siga participando do Terra Blog.