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16/8/07

kano versus damon albarn

não vai ser a primeira vez nem a última que acontece: o disco nem é lançado comercialmente e a gente já sabe o fim da história.

o inglês kano, fichado no allmusic na gaveta de garage rap e grime, espera lançar seu novo disco "london town" em setembro, mas as faixas já chegaram aqui no meu  i-pobre (via rexblex) em pindorama village (zona oeste - rj) causando espécie.

de primeira, achei o disco meio irregular, não no sentido ruim mas sim no que lembra várias coisas em suas faixas. a primeira referência foi the streets ao escutar batidas quebradas sob camas de harmonia em tom meio épico (leia-se gradiloqüente). ao mesmo tempo tem música que lembra o hiphop estadunidense - que bomba direto nos centros de formação de opinião que são as academias de ginástica - vocais em velocidade desumana, vida nas ruas, chutes na porta, barra pesada, etc. 

há citações de junior marvin ("police and thieves") em "fightin the nation" que é levada quase toda num violão folk.  

a faixa que se tornou meu fetiche, a ponto de escutá-la cinco vezes seguidas, é a que conta com a participação de damon albarn (blur, gorillaz, the good, the bad & the queen, beatles e outros quatorze projetos musicais).

chama-se "feel free"  e poderia ser hit do próximo disco do próprio gorillaz (isso vai sair realmente?). tem a marca de damon com lálálálá, vocais de adolescentes de casas de reabilitação e melodia melancólica e largadona. me atingiu em cheio. é a melhor faixa do disco.

se você estiver indo para uma reunião informal encontrar gente bonita, bem sucedida, vestindo roupas de grifes famosas, torneadas, bronzeadas e saudáveis e quando for sua vez de colocar o i-pod para jogo, deixe tocar todo esse disco do kano. sua reputação vai melhorar sensivelmente.

agora se você estiver no ônibus lotado, preso no engarrafamento, frustrado, tristinho e com fome, pode escutar também.

sem contra-indicações.

 

 

 

 

por dedé a.k.a. homobono

 

 

 

criado por djangos    10:36 — Arquivado em: Sem categoria

14/8/07

enquanto isso em egocity

sábado passado rolou no mó clima legal o nosso show no vittorio, no cittá america. fantástico. alto astral. revigorante. coisa pra ficar se pensando horas e horas depois.

pedimos à nossa amiga roberta mattos (que bateu a chapa manipulada aí em cima) para que desse seu testemunho. lembrando que o djangos não é chapa branca e não edita as palavras de seus amigos. beleza???

obrigado, roberta, por todo o carinho.

 

 

"Conheci o DJANGOS num pequeno show no Bar Vittorio, no shopping Cittá América. Confesso, que fui só para assistir ao show da banda da minha prima Flávia, a MEF3, que é muito legal!!!!!! Mas, depois da apresentação dela, foi a vez deles. E, quando começaram a fazer o primeiro barulho, já tive certeza que iria gostar. E, pronto, foi batata. AMEIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIII!!!!!!!!!!!!!!!

A banda lembra bastante o Rappa, suas músicas tem sempre o objetivo de passar uma mensagem positiva. Não dá nem pra dizer de qual gostei mais, pois todas são ótimas. Além disso, os meninos também são muito legais. O Marco (vocal), é muito simpático, extrovertido, animadíssimo, bem-humorado, alto astral e cheio de energia, fazendo qualquer um levantar da cadeira pra dançar!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

Bom, para quem ainda não conhece, faça isso o mais rápido possível, tenho certeza que vocês amar tanto quanto eu, até porque, estamos precisando de boa música e, eles com certeza, TEM!!!!!!!!!!!!!!!!

Gravem esse nome (DJANGOS), pois em breve ele será anunciado no Canecão, Vivo Rio, Fundição Progresso, Circo Voador e afins!!!!!!!!!!!!!

Beijos. Roberta Mattos

no detalhe, mef3 e djangos juntos no palco. tocamos "o amor não sabe esperar", dos paralamas do sucesso e depois, a pedido do personal trainner flavinho, violonista do mef3, reprisamos "raiva contra oba oba". celebração total.

criado por djangos    15:59 — Arquivado em: Sem categoria

novo produto na área

enquanto, o novo disco não sai, "voltamos os holofotes" para uma
"invenção" perdida do djangos.
por volta de 2004 a banda recebeu um convite para que fizéssemos
uma música para uma ong chamada FASE. na verdade, tratava-se de uma
canção para um campanha institucional "o brasil tem fome de
direitos"
. grosso modo, o que se pretendia com essa campanha era
difundir a idéia de que os direitos sociais expressos na constituição
federal não eram algo distantes da nossa realidade e que eram
passíveis de reinvindicações legítimas para todos os interessados. 
quando recebemos o "pedido da encomenda" nos encontramos no estúdio
para compor em conjunto. acho que a idéia que predominava era de que
fizéssemos algo na linha hard, que talvez remetesse a rage against
the machine
. aliás, quem propôs isso fui eu mesmo. momentos depois
algo me disse que estávamos seguindo a direção errada e me veio a
idéia "what’s going on", do marvin gaye. se abstrairmos a letra desse
clássico dos anos 70, podemos até pensar que se trata de uma canção
de amor. mas gaye mandava um brado anti-guerra lindo lindo que foi
utilizado em versão gravada décadas depois por bonovox, do u2 e mais um monte de outros artistas  reunidos (mtv allstars) num esquema "we are the
world",
por ocasião do 11 de setembro.
bem, sem a pretensão de plagiar, emular ou usar marvin gaye como
parâmetro, sugeri uma levada mais leve indo contra o pensamento
original. arrumei dois acordes, uma frase de teclados bem grudenta e
um refrão que explodia num tom alto. pronto, tínhamos o rascunho da
música. um ensaio depois veio a letra, numa rapidez incomum (leia no
fim desse texto)
.
várias mutações depois na música, estávamos gravando no estúdio do
grande ézio filho, em botafogo e na seqüência estava sendo lançada
num cd que a FASE divulgou em todo brasil. os djangos saíram
juntos com devotos e vários outros inventores dos rincões de
pindorama.
meio insatisfeito com o resultado final, eu meti a música num
software de edição musical, o acid, e acrescentei uma batida dance
farofa, o famoso bate-estaca, passei o groove pelo filtro e fiz um
loop, gravei dub nas vozes e botei uns tecladinhos. fiz uma espécie
de remix e só nao mexi mais porque o meu computador era bem capenga.
o resultado ficou guardado um tempão. como o pessoal da banda
pareceu ter gostado bastante e as pessoas a quem mostrei também,
achei que era melhor disponibilizá-la no nosso myspace, de onde ela
pode ser copiada para o seu hd.
lá ela atende pelo nome de "atention". botei assim porque o myspace
não reconheceu a cedilha e o til e estava rebatizando a música de um
jeito canhestro.
fiquem à vontade e tirem as suas próprias conclusões.
ok?

 

 

por dedé a.k.a. homobono

"atenção"
(araújo/diniz/aquino/homobono)

eu aposto a minha vida
que é essa é a nossa vez
os idiotas não vão mais dar risada
e a minha gente boa não vai mais chorar
há um vazio dentro do peito
uma alegria sem motor de arranque
nada vem de graça
e nem era pra tanto
mas custa muito sangue
e uma chuva de pranto
eu quero meu direito de sonhar
eu quero meu direito de fazer e acontecer
eu quero poder realizar
qual é o nome do meu crime?

em que prisão eles vão me colocar?

criado por djangos    13:30 — Arquivado em: Sem categoria

6/8/07

paul potts arruinou minha saúde

quem é paul potts? favor não confundir com o sanguinário pol pot, líder do kmehr vermelho do camboja na década de 70 e citado pelo dead kennedys no clássico "holiday in cambodia".

esse paul potts também é um sanguinário, porém muito mais sutil.

(corta a cena).

às 10h30 do dia 6 de agosto, estou sentado numa maca em uma espécie de consultório médico no bairro do leblon. desnudo da cintura para cima, aguardo a enfermeira colocar no meu braço um aparelho que medirá, durante 24 horas, e a cada quinze minutos, minha pressão arterial. ordens médicas para saber a causa dos meus picos hipertensivos por enquanto insondáveis. a enfermeira me orienta pacientemente que devo anotar numa planilha os fatos mais marcantes do dia como o almoço, a subida de uma escada, corrida desesperada para pegar o coletivo, um momento de aborrecimento, o sono, algum esforço físico para fins íntimos  e daí por diante. sou informado também que não vou poder tomar banho.
o negócio me incomoda. da tira amarrada em meu braço sai um duto de borracha que dá a volta no pescoço, desce pelo peito e pela barriga e chega a uma caixinha presa à minha cintura que apita no tempo certo.
depois de paramentado, sigo rumo ao trabalho.
ao chegar na minha baia, ligo o computador e me deparo com um e-mail de nosso produtor, xande aquino, que conta a história de um cara que participou de um programa, no reino unido, chamado britains got talent, que nada mais nada menos é que uma espécie de ancestral do nosso querido ídalos, que o sbt transmite.
a mensagem traz um vídeo em anexo e um texto contando que esse cara, paul potts, 36 anos, canta ópera desde os 28 e que após um acidente de moto e um colapso financeiro, vai tentar a sorte no tal programa e…
bem, resolvi ver o tal vídeo, o que foi o começo da minha catarse.
vemos paul pott, após uma entrevista introdutória em que ele diz que vende telefones celulares, dirigir-se ao palco qual um escravo servido de banquete às feras em alguma arena romana. a sua frente estão três jurados e atrás destes uma enorme platéia.
perguntam-lhe o que ele foi fazer ali. e ele responde humildemente: "vim cantar ópera", no que se ouvem alguns risinhos de descrença, inclusive um muxoxo debochado e sem disfarce de um dos jurados, o que já detonaria psicologicamente qualquer um. entrecorta a cena outro depoimento de paul, no qual ele diz que auto-confiança nunca foi o forte dele - lendo o wikipedia, sabemos que ele sofreu muita chacota na escola por causa de seu peso e suas roupas  - e em seguida um close de seu rosto contorcido numa espécie de riso triste ou prestes a lacrimejar desolado.


quando lhe dão a autorização para que mostre seu canto, ele acena a cabeça em direção às coxias e o instrumental de "nessun dorma" de puccini, que tem uma melodia com altos níveis de adrenalina lírica e comovente, inunda aos poucos o ambiente. vocês já devem ter escutado em algum lugar.
definitivamente é um prato cheio: para a glória ou para um tombo monumental.
antes de emitir os primeiros versos, paul fixa o olhar no horizonte invisível. ele não é mais humilde. ele agora parece ser mais um mutante, um dos x-men, talvez o banshee que emitia gritos ultrasônicos que agredia seus inimigos. mas paul está prestes a fazer um milhão de amigos e fãs.
os versos em italiano que dizem "mas meu segredo permanece guardado dentro de mim/meu nome ninguém saberá/ não, não…" se projetam na voz de paul rasgando a realidade, estampando um certo constrangimento na cara dos jurados e fazendo explodir espanto e ovações na platéia, que em poucos segundos se rende a paul. ao fim da última nota emitida por ele, justo a que carrega o verso "vencerei, vencerei" e que o fazem abrir a boca e deixar à mostra seu dentinho torto, enxugam-se lágrimas e tenta-se sentar os pêlos do corpo que teimam em ficar em pé. os meus estão até agora.
se você não viu veja aqui e aqui.
tire suas próprias conclusões e veja o desfecho dessa história.
nesse mundo falso de big brothers, renan calheiros e silicone, é fácil imaginar que paul potts não é nenhum coitadinho ou sapo que virou príncipe, mas sim o protagonista de um roteiro muito piegas todo maquinado para dar ao mundo um novo pavarotti ou um novo edson cordeiro (!!!!) e amealhar milhares de euros, dólares e yuans (amanhã vou ver se o dvd dele já chegou na uruguaiana).
eu não me importo. assisti ao vídeo zilhares de vezes e em todas elas meus olhos ficaram empapuçados e líquidos, minha garganta engarrafou  me deixando na pendência de um pranto qualquer.

(corta a cena de novo - volta para o consultório)

no dia seguinte, devolvo o aparelho junto com uma planilha. em alguns trechos do dia podem-se ler facilmente itens como café expresso, almoço, etc. outros trechos já são mais difíceis de identificar, mas dá pra ver que são a mesma coisa, já que a caligrafia é igual mas está borrada. talvez a médica responsável pelo laudo consiga decifrar o que está escrito: paul potts. justamente onde  estão indicados os maiores picos hipertensivos.
amanhã se eu sofrer um derrame, um infarto ou até mesmo morrer, procurem paul potts e façam-no pagar uma indenização à minha família.
mas primeiro digam que eu era muito fã dele.

 

 

por dedé aka homobono

 

 

criado por djangos    17:37 — Arquivado em: Sem categoria
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