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27/9/07

Top 10 de JJ Aquino

Coloco aqui o que está tocando, atualmente, nos meus ouvidos. Sem ordem cronológica, por favor. Não tenho como fazer isso, pois todas acabam sendo uma coisa só.
Só uma observação. Na verdade são 11 músicas, porque antes de fechar a lista tive que colocar uma do cd do Marvin Gaye, que está tocando direto por aqui. Difícil escolher, mas vou ficar com a Mercy Mercy me ( the ecology)

- Di great insorbrcksanLinton Kwesi jonhson
Escutava sempre com os Paralamas a linha de metais como música incidental nos shows.

- Por causa de você menina / Mas que nada – Jorge Ben com participação de Fernanda Abreu
Versão bacana com levada eletrônica. Muito bem feita, por sinal.

- Masoko Tanga –The Police
Música do primeiro disco do Police. Onde o grupo flerta como o reggae, música africana e rock.

Will be nice – Beach Boys
Música para se escutar num dia de sol de preferência na praia tomando água de coco

Las flores – Cafe Tacuba
Um ska com alto astral. Lembro do dia em que o grande amigo, e hoje produtor, Kassin me mostrou a banda.

Knock ‘em out – Lily Allen
Artista feita pela internet, diga-se my space. Enfim, escutei e gostei. Nada inovador, mas é bem bacana.

Head over heels – Go go´s
Música ensolarada. Banda dos anos 80. Elas estiveram no Rock in Rio I com uma única música na rádio.

O sol nascerá – Cartola
Pra quem não sabe Cartola chegou a morar em Jpa. Mais, precisamente, no condomínio Jardim Pindorama. Onde os meus companheiros de banda moram.
Cartola é uma grande referência na música brasileira, por isso está nos meus ouvidos.

Ame – Paulinho da Viola
Mais um samba de grande estilo. Um dos grandes sambistas em atividade.

Isn´t she lovely – Stevie Wonder
Um gênio!!! Quase sempre alguma música deste grande gênio está no meu Mp3.

 

 

por JJ Aquino

criado por djangos    10:19 — Arquivado em: Sem categoria

24/9/07

mudando mentalidades usando a moda

a primeira pessoa que vi usando uma camisa dessa foi um pivete, um dimenor, com o rosto todo contorcido de  tinner ou cola ou fome.  logo depois, com o olhar mais atento, notei que pipocavam marmanjos trajando orgulhosamente os dizeres "100 % protistuto".

deve ser coisa do funk, sei lá, ou uma influência de cantores estadunidenses que fazem muito sucesso como 5centavos e ja-rolla. a idéia de encarnar um gigolô é muito atraente, porque satisfazer carnalmente as mulheres em troca de benefícios como vale-transporte, mesada, motéis bancados, crediários ilimitados na c&a, hoje em dia, parece ser um bom negócio.

se houvesse uma chance de a moda influenciar a mentalidade das pessoas através do que está escrito em suas camisas, e os djangos seguissem os passos de marcelo d2 e marcelo falcão, do rappa, donos de suas próprias grifes, lançaríamos o modelo de camisa disposto aqui embaixo:

 

seria um modelo para pessoas que seguem um ideal de vida baseado em suas crenças mais autênticas, como terroristas, publicitários e tecnocratas da indústria do lazer, como, por exemplo, a do tabaco.

mas como você corre o risco de ser chamado de caxias ou péla-saco por estar expressando de maneira tão contundente suas opiniões e já que nesse mundo a fé pode ser resumida a um jogo de cintura, lançaríamos também o modelo acima, para todo mundo saber que você não é tão ruim de jogo assim. ideal para chefes de repartições públicas ou de setores privados, magistrados, funcionários da aduana e guardas florestais.

 

 

 

por dedé a.k.a. homobono

criado por djangos    13:32 — Arquivado em: Sem categoria

21/9/07

TROPA DA ELITE

Como diria vovó: "Cada povo tem a elite que merece". Eu como resenhista amador desconheço frase melhor para resumir o mega blockbuster que estreou primeiro no camelódromo da Uruguaiana e depois no Festival do Rio. O bang-bang carioca é um corte epistemológico no caos maior que é a gestão pública no Brasil. O diretor Jorge Padilha conseguiu fazer uma abordagem sistêmica da corrupção endêmica da sociedade brasileira. O resultado é um retrato feio do aparato policial mas que revela intencionalmente um cenário mais feio ainda, e não estou falando da pobreza ou da favelização, mas dos mecanismos da gestão da precariedade. A elite política-econômica-burocrática produziu um monstro que ameaça a todos, inclusive a ela mesma. Aqui o Estado é mínimo para os pobres e máximo para os ricos. Nosso Leviatão-macunaímico é um ser truculento e de complexo manejo. O Bope, enquanto membro do monstro, se jogado à exposição pública mostra o quão vexatórias podem ser suas operações, mas nas sombras é o mal necessário no inadministrável controle das zonas de guerra do Rio de Janeiro.

As cenas do treinamento dos "caveiras" mostram que essa não é uma tropa policial, é um aparato repressivo militar concebido para ser eficaz na solução do problema, prudente na conservação dos soldados mas sem comprometimento de salvaguardar inocentes ou agir de acordo com a lei. O Estado que não se compromete em garantir a segurança de todos delimita até onde vai a civilização, fora dali é o estado de natureza hobbesiano, o popular vale-tudo. Por isso documentários estrangeiros costumam qualificar o Bope como "Wardogs", o próprio símbolo da coorporação desvela a missão de seus soldados. O processo de desumanização a que o candidato à "caveira" tem que passar é um batismo espartano que forma o esprit de corps necessário a uma organização que tem o compromisso de disputar o monopólio da violência com uma horda de bárbaros que se multiplica a cada dia. Uma batalha inglória de homens corajosos que se submetem a um estilo de vida temerário em troca de alguns poucos tostões.

De que serve ter a tropa mais feroz do mundo se não se consegue desarticular os poucos chefões que operam o tráfico de droga? E mesmo se prendêssemos todos os bandidões quantos segundos demorariam para que fossem devidamente substituídos? Se a sociedade está realmente apavorada com a escalada da violência porque não há uma diminuição do consumo de drogas? Foram algumas das muitas perguntas que ficaram na minha cabeça depois de ver o filme.

Rexblex
(a.k.a. victor cardoso é amante de dub, black music, grooves e rocks de procedência mais que atestada)

criado por djangos    10:19 — Arquivado em: Sem categoria

17/9/07

caros companheiros de gaveta

"o rockista tem ser seguro. o rockista tem que se garantir. foda-se se está sozinho. ele deve fazer o seu próprio caminho" - bob marley jr.

 

por favor, não digam que isso é palhaçada, mas de vez em quando me bate um sentimento de que os djangos estão sozinhos nesse mundo. em meio aos diversos hypes, às escalações dos festivais no brasil e no mundo e às capas da revista capricho. bem, exatamente sozinhos não, porque, graças a james brown, existem, por exemplo, bois de gerião, coquetel acapulco e grave!

ao folhear os blogs favoritados encontro muita celebração por um som brit-pop e power não sei das quantas. e o groove, os riffs de combate assim como  uma certa politização parecem estar fora do cardápio mundial. por isso vibrei ao saber que no último coachella, o rage against the machine (cujo nome inspirou nosso "raiva contra oba oba") havia feito apresentação devastadora.

mas eis que surgem no horizonte dois nomes para nos dar uma impressão de que não estamos tão desgarrados assim: gogol bordello (de quem já havia falado aqui bem superficialmente) e manu chao, que acaba de lançar disco novo (ou não - vai saber nesse novo mundo de vazamentos de arquivos mp3), "la radiolina".

talvez influenciado pela resenha raivosa que jamari frança escreveu a respeito do último vma, fiquei contente ao lembrar que existem pelo menos duas bandas de combate na ativa (descontando as inúmeras bandas de hardcore e punk  ao redor do mundo - não esquecendo o hip hop nacional com suas temáticas um tanto batidas), e o melhor, que foram escaladas para o coachella desse ano, isso sem falar nos festivais europeus também.

o gogol no seu perfil no myspace, elenca manu chao como influência no seu som. e realmente, em vários momentos, no seu super taranta, último disco dos gipsy-punks, lembra bastante a mistura cometida em puta’s fever, disco da década de 90 do mano negra, banda que fora capitaneada por manu chao. e tome-lhe riffs de guitarra juntos com violino, acordeão, palhetadas em violão de corda de nylon, levadas de ska, hardcore, alguns ecos de dub, versos berrados e músicas para cantar ao redor da fogueira. veja aqui o clipe insano de "not a crime", com vários takes ao vivo - com o público em catarse - e com uns efeitos de vídeo que lembram muito o clipe "king of bongo" do mano negra (repare na camiseta do baterista).

escutei uma vez só o novo disco do meu herói, manu chao. confesso que não me agradou de primeira (talvez seja um sintoma meio lúcio ribeiro). "clandestino" e "proxima estacion: esperanza" ganham bonito. o primeiro pelo clima quietão e simples e viajante, e o segundo por misturar esse clima com uma certa pulsação. ao me passar os arquivos, nosso amigo rexblex alertou-me: "isso tá meio modernoso. parece que eles quiseram soar meio strokes". de fato, há muito rock, no estilo "hamburguer fields", do cosmopolitano "casa babylon" (também mano negra), cujo formato eu não gosto muito não preferindo mais o ska, reggae, rap, country, ragga todo misturado que eles faziam e que rola mais nos shows do radio bemba, banda que acompanha manu hoje

de qualquer forma, gogol e manu me dão vontade de entrar nesse ônibus que traz escrito assim lá na frente: "babylon - circular", e perder o ponto.

 

 

 

 

por dedé a.k.a. homobono

 

p.s.: caros amigos, o lismar me fez lembrar que tudo demais é chato. estou clamando pelas bandas de combate, com discurso, mas não tenho nada contra o iê-iê-iê e adjacências (inclusive até gosto). o que importa é a boa música. honesta vinda do coração. isso é o que importa.

criado por djangos    11:53 — Arquivado em: Sem categoria

3/9/07

Na Clandestinidade com Djangos

sara simões é amiga de muito muito tempo dos djangos, da época em que editava com sandro fernandes, o fanzine de papel xerocado f.i.m.o.s.e. encontrávamos a dupla em vários shows dos kamundjangos, e acabamos nos tornando amigos.
depois de um certo tempo o zine acabou mas sara continuou escrevendo, passando a colaborar mais tarde com o site armazém literário, mais precisamente no nervo óptico onde revelou ser uma colunista tão articulada quanto poética.
sara estava há muito tempo sem aparecer num show nosso, mas na última quarta-feira esse jejum foi quebrado da melhor forma possível, no maneiríssimo bar clandestino, onde tocamos na chuvosa noite. não poderíamos perder essa chance e pedimos que nos escrevesse suas impressões.    (dedé a.k.a. homobono)

  fotos de roberta mattos e allan (audio44)

 

A última quarta-feira de um mês profeticamente sinistro amanheceu chuvosa e fria e assim permaneceu até suas últimas horas. Foi feliz na colocação a cantora que disse que cariocas não gostam de dias nublados. É impossível manter-se animado sob um céu carregado. Mas aquele dia precisava terminar bem. Na TV, o jogo do time do coração contra seu arquiinimigo indicava que a melhor opção não seria ficar em casa. Ganhei as ruas. Atravessei a cidade para ouvir tocar uma banda que embalou muitos momentos felizes dos tempos de faculdade e, de quebra, acabei conhecendo um espaço novo e muito interessante, o bar Clandestino (Barata Ribeiro, 111).
Dez anos e várias formações – que incluíram naipe de metais, duas guitarras, percussão, etc. e tal – depois, os Djangos voltam a ser um power trio. A esperada sensação de entrar num túnel do tempo e reviver aqueles tempos felizes não aconteceu. Mas ao invés de frustração, a banda causou uma surpresa das mais agradáveis. A personalidade e a garra ainda são as mesmas, mas o som… Quanta diferença! Mais moderno e bem acabado. As letras ultrapassam os limites do bairro e ganham o mundo. Antigos hits do underground (se é que isso é possível!) carioca, como “Raiva Contra o Oba Oba”, “Sopa de Jornal” e “Eu Não Sei Pogar”, esta agora sem a citação a “Eu Não Sei Dançar”, de Marina Lima, ajudam a afastar a friaca do pequeno, mas empolgado, público que canta junto os versos cheios de ironia saídos do primeiro álbum, "Raiva Contra Oba Oba", produzido por Tom Capone e João Barone e lançado pela major Warner em 1998. Do EP de 2004, “Djangos”, as faixas “Operação São Jorge” e “O Alvo” contribuem para dar ao trabalho da banda uma cara mais urbana e contemporânea e ao vivo soam ainda mais pesadas. Adicionadas a elas, as ainda não lançadas em cd “Imigrante Ilegal” e “Forrockers” deixam um gostinho de quero mais que é devidamente alimentado pelas covers de “Comportamento Geral”, de Gonzaguinha, e “Selvagem”, dos Paralamas, entrecortada por Gilberto Gil/ O Rappa, Bob Marley e outras referências. A irreverência dos comentários de Marco Homobono (vocal) favorece a fama dos Djangos que vai se perpetuando como a banda mais simpática do oeste, do norte, do sul, do centro… Sem contar com a sorte de ter Carlyle Diniz, no baixo, e João Aquino, sem dúvida um dos melhores bateristas da praça. O show foi curto, mas suficiente pra gerar duas dúvidas. A primeira, por que demorei tanto para vir vê-los novamente? A segunda, por que a banda não decolou como outras da mesma época ou posteriores? As respostas vieram antes mesmo do fim do show. Primeiro, porque estava comendo mosca. Segundo, quem os vê tocando para um público amigo e fiel e se divertindo tanto quanto quem os assiste sabe que decolar é merecido, mas não é essencial. Rock and Roll é isso.

 

 

por Sara Simões

criado por djangos    10:22 — Arquivado em: Sem categoria
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