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3/9/07

Na Clandestinidade com Djangos

sara simões é amiga de muito muito tempo dos djangos, da época em que editava com sandro fernandes, o fanzine de papel xerocado f.i.m.o.s.e. encontrávamos a dupla em vários shows dos kamundjangos, e acabamos nos tornando amigos.
depois de um certo tempo o zine acabou mas sara continuou escrevendo, passando a colaborar mais tarde com o site armazém literário, mais precisamente no nervo óptico onde revelou ser uma colunista tão articulada quanto poética.
sara estava há muito tempo sem aparecer num show nosso, mas na última quarta-feira esse jejum foi quebrado da melhor forma possível, no maneiríssimo bar clandestino, onde tocamos na chuvosa noite. não poderíamos perder essa chance e pedimos que nos escrevesse suas impressões.    (dedé a.k.a. homobono)

  fotos de roberta mattos e allan (audio44)

 

A última quarta-feira de um mês profeticamente sinistro amanheceu chuvosa e fria e assim permaneceu até suas últimas horas. Foi feliz na colocação a cantora que disse que cariocas não gostam de dias nublados. É impossível manter-se animado sob um céu carregado. Mas aquele dia precisava terminar bem. Na TV, o jogo do time do coração contra seu arquiinimigo indicava que a melhor opção não seria ficar em casa. Ganhei as ruas. Atravessei a cidade para ouvir tocar uma banda que embalou muitos momentos felizes dos tempos de faculdade e, de quebra, acabei conhecendo um espaço novo e muito interessante, o bar Clandestino (Barata Ribeiro, 111).
Dez anos e várias formações – que incluíram naipe de metais, duas guitarras, percussão, etc. e tal – depois, os Djangos voltam a ser um power trio. A esperada sensação de entrar num túnel do tempo e reviver aqueles tempos felizes não aconteceu. Mas ao invés de frustração, a banda causou uma surpresa das mais agradáveis. A personalidade e a garra ainda são as mesmas, mas o som… Quanta diferença! Mais moderno e bem acabado. As letras ultrapassam os limites do bairro e ganham o mundo. Antigos hits do underground (se é que isso é possível!) carioca, como “Raiva Contra o Oba Oba”, “Sopa de Jornal” e “Eu Não Sei Pogar”, esta agora sem a citação a “Eu Não Sei Dançar”, de Marina Lima, ajudam a afastar a friaca do pequeno, mas empolgado, público que canta junto os versos cheios de ironia saídos do primeiro álbum, "Raiva Contra Oba Oba", produzido por Tom Capone e João Barone e lançado pela major Warner em 1998. Do EP de 2004, “Djangos”, as faixas “Operação São Jorge” e “O Alvo” contribuem para dar ao trabalho da banda uma cara mais urbana e contemporânea e ao vivo soam ainda mais pesadas. Adicionadas a elas, as ainda não lançadas em cd “Imigrante Ilegal” e “Forrockers” deixam um gostinho de quero mais que é devidamente alimentado pelas covers de “Comportamento Geral”, de Gonzaguinha, e “Selvagem”, dos Paralamas, entrecortada por Gilberto Gil/ O Rappa, Bob Marley e outras referências. A irreverência dos comentários de Marco Homobono (vocal) favorece a fama dos Djangos que vai se perpetuando como a banda mais simpática do oeste, do norte, do sul, do centro… Sem contar com a sorte de ter Carlyle Diniz, no baixo, e João Aquino, sem dúvida um dos melhores bateristas da praça. O show foi curto, mas suficiente pra gerar duas dúvidas. A primeira, por que demorei tanto para vir vê-los novamente? A segunda, por que a banda não decolou como outras da mesma época ou posteriores? As respostas vieram antes mesmo do fim do show. Primeiro, porque estava comendo mosca. Segundo, quem os vê tocando para um público amigo e fiel e se divertindo tanto quanto quem os assiste sabe que decolar é merecido, mas não é essencial. Rock and Roll é isso.

 

 

por Sara Simões

criado por djangos    10:22 — Arquivado em: Sem categoria

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