17/9/07
caros companheiros de gaveta


"o rockista tem ser seguro. o rockista tem que se garantir. foda-se se está sozinho. ele deve fazer o seu próprio caminho" - bob marley jr.
por favor, não digam que isso é palhaçada, mas de vez em quando me bate um sentimento de que os djangos estão sozinhos nesse mundo. em meio aos diversos hypes, às escalações dos festivais no brasil e no mundo e às capas da revista capricho. bem, exatamente sozinhos não, porque, graças a james brown, existem, por exemplo, bois de gerião, coquetel acapulco e grave!
ao folhear os blogs favoritados encontro muita celebração por um som brit-pop e power não sei das quantas. e o groove, os riffs de combate assim como uma certa politização parecem estar fora do cardápio mundial. por isso vibrei ao saber que no último coachella, o rage against the machine (cujo nome inspirou nosso "raiva contra oba oba") havia feito apresentação devastadora.
mas eis que surgem no horizonte dois nomes para nos dar uma impressão de que não estamos tão desgarrados assim: gogol bordello (de quem já havia falado aqui bem superficialmente) e manu chao, que acaba de lançar disco novo (ou não - vai saber nesse novo mundo de vazamentos de arquivos mp3), "la radiolina".
talvez influenciado pela resenha raivosa que jamari frança escreveu a respeito do último vma, fiquei contente ao lembrar que existem pelo menos duas bandas de combate na ativa (descontando as inúmeras bandas de hardcore e punk ao redor do mundo - não esquecendo o hip hop nacional com suas temáticas um tanto batidas), e o melhor, que foram escaladas para o coachella desse ano, isso sem falar nos festivais europeus também.
o gogol no seu perfil no myspace, elenca manu chao como influência no seu som. e realmente, em vários momentos, no seu super taranta, último disco dos gipsy-punks, lembra bastante a mistura cometida em puta’s fever, disco da década de 90 do mano negra, banda que fora capitaneada por manu chao. e tome-lhe riffs de guitarra juntos com violino, acordeão, palhetadas em violão de corda de nylon, levadas de ska, hardcore, alguns ecos de dub, versos berrados e músicas para cantar ao redor da fogueira. veja aqui o clipe insano de "not a crime", com vários takes ao vivo - com o público em catarse - e com uns efeitos de vídeo que lembram muito o clipe "king of bongo" do mano negra (repare na camiseta do baterista).
escutei uma vez só o novo disco do meu herói, manu chao. confesso que não me agradou de primeira (talvez seja um sintoma meio lúcio ribeiro). "clandestino" e "proxima estacion: esperanza" ganham bonito. o primeiro pelo clima quietão e simples e viajante, e o segundo por misturar esse clima com uma certa pulsação. ao me passar os arquivos, nosso amigo rexblex alertou-me: "isso tá meio modernoso. parece que eles quiseram soar meio strokes". de fato, há muito rock, no estilo "hamburguer fields", do cosmopolitano "casa babylon" (também mano negra), cujo formato eu não gosto muito não preferindo mais o ska, reggae, rap, country, ragga todo misturado que eles faziam e que rola mais nos shows do radio bemba, banda que acompanha manu hoje
de qualquer forma, gogol e manu me dão vontade de entrar nesse ônibus que traz escrito assim lá na frente: "babylon - circular", e perder o ponto.
p.s.: caros amigos, o lismar me fez lembrar que tudo demais é chato. estou clamando pelas bandas de combate, com discurso, mas não tenho nada contra o iê-iê-iê e adjacências (inclusive até gosto). o que importa é a boa música. honesta vinda do coração. isso é o que importa.
criado por djangos
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