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7/11/07

djangos adventures

proibido entrar de bermudas

 

o segurança não me pediu o crachá. eu, como reminiscente da geração
rock de bermudas, tentava entrar nas dependências do teatro
municipal, trajando bermudas. a galera de terno azul marinho de
tergal não encrespou comigo. pelo contrário,eles até me deram a dica:
"pega uma calça emprestada com os vigilantes lá nos fundos". peço
licença a jj aquino, que espertamente traja uma roupa esporte safari
fino com tênis adidas verde musgo, e parto para a parte de trás do
teatro. primeiro, tenho que esbarrar com um cambista de gestual
pitoresco. deixo escapar que não quero ingressos e sim, calças. e
ele, mais que solícito, coloca a mão no meu ombro e me encaminha em
direção ao estacionamento da rio branco. "você troca as suas bermudas
com as calças de bruno, ok?", ele dá o esquema. numa fração de
segundos, imagino que bruno é o flanelinha e que para trocarmos de
roupa vamos ter que nos despir em pleno avenidão, onde as escolas de
samba desfilavam antes de irem para a sapucaí. só que não era carnaval e qualquer destacamento do bope que se deparasse com a cena iria sacar na hora que se tratava de sodomia. antes que eu armasse um golpe na boca do estômago do meu novo amiguinho, aparece mais um incauto querendo ingresso. negocia daqui e ali, eu já estou interpelando um vigilante contando meu problema. ele pega seu rádio e aciona os colegas. após algum suspense, surge outro vigia esbaforido com a chave do armário, o que pode significar uma boa notícia. "ah, então foi você, né?"
pergunta em voz alta no foyer, por onde os músicos eruditos entram no
teatro.
"mas aê, você vai tomar banho primeiro, né?".
"peraí, banho???"
"você não está cagado?"
escuto gargalhadas em todo o recinto, antes que meus olhos
lacrimejassem. os vigias devem fazer isso com todos que chegam por lá
pedindo calças.
ele some e aparece trazendo as suas. "pô, tu vai voltar, né?", pergunta preocupado, "não quero voltar pra casa de bermuda, não!".
tranqüilizo o guardião deixando minha habilitação e uma cédula rósea em suas mãos.  
ele me indica o caminho do banheiro mas no meio dos meus passos apressados, ele me chama para o que parece ser uma espécie de exame urológico: "você tem alguma doença venérea?"
(continua…)

criado por djangos    15:02 — Arquivado em: Sem categoria
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