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18/12/07

Paralamas e Police

MARACANÃ 08 DE DEZEMBRO DE 2007

Em janeiro de 2007 estava preso com a minha mente, e tudo me envolvia com um sentimento muito grande. Pensava em muitas coisas neste período. Cheguei a conclusão que a única coisa a fazer era tocar bateria. Voltar a tocar como nunca, e para isso precisava de um combustível. Aos poucos o combustível veio chegando. Os amigos, Yuka, os Djangos, as gravações e os Paralamas na Fnac, começaram a servir de força.
No mesmo período, o grande amigo e baterista Érico AV me emprestou o livro do Sting – Fora do tom - (já comentado aqui neste blog) para ler. Sempre que tinha algo relacionado ao Police pensava: "os caras nunca vão se reunir", já que pra mim era uma coisa improvável. Apesar de saber que eles se falavam, e que tinham tocado no casamento do Sting, que, na minha opinião, era o cara que jogava o balde de água fria para a reunião do Police. Sei que ele e nem os outros integrantes precisavam do Police pra viver. O engraçado é que antes de saber da volta do Police aos palcos eu estava vendo vídeos, lendo coisas sobre Copeland e a banda. Pouco depois receberia a informação em que eles iriam se apresentar no Grammy 2007, tocando "Roxanne", e que iriam fazer alguns shows em comemoração ao primeiro single. Aí fiquei pensando: "será que eles tocam no Brasil?" Poxa, se tocassem só na Argentina iria ser difícil de ir. Essa angústia durou alguns meses até a confirmação de que a turnê passaria pelo Brasil e que seria no Maracanã. Não acreditava que o sonho se tornaria realidade, e com isso fui reservando o bolso($$$$).
O show do The Police era combustível que faltava. Ver Sting, Andy Summers e o gênio das baquetas Stewart Amstrong Copeland era o sonho que seria realizado. E ainda de quebra estaria tocando na mesma noite a melhor banda da América Latina, Os Paralamas do Sucesso. Na Fnac lembro de ter perguntado ao Barone sobre a possível participação dos PDS no show do Police. A resposta veio acompanhado de um sorriso. Barone falou que a informação estava guardada a sete chaves, porém deixou escapar que se valesse a pena eles iriam tocar. Nada mais justo do que os Paralamas no Maracanã. Pois coroaria a trajetória da banda.
Até fiquei pensando, poxa seria lindo Djangos, Paralamas e o Police na mesma noite (rs). Mas acho que os Djangos estão tratando de seguir o seu caminho. Estamos trabalhando pra podermos tocar um dia no Maracanã. Quem sabe???rs
Quando foi anunciado o dia da venda dos ingressos tratei de reservar o dia para comprar o meu. Vários amigos me ligaram para saber algo. Uma amiga de longa data, Elisa, me chamou pra comprarmos juntos. Fiquei na dúvida: para qual setor do Maracanã que vou? Premium ou o gramado?
O Premium custaria ao meu bolso 250 reais e o gramado era mais barato e seria a melhor opção para poder ver o show com o Xande, meu irmão, pois foi ele que me apresentou o Police e queria assistir este show ao seu lado. Mas como nada é por acaso, quando cheguei pra comprar a dúvida evaporou, pois os ingressos da área Vip tinham se esgotado. Comprei gramadão mesmo.
Na fila conversei com algumas pessoas. Muitos comprando ingresso porque eram fãs como eu. Muito papo na fila sobre a carreira do Police. Bacana foi saber que o Police tinha fãs de carteirinha e que não eram meros espectadores vivendo de uma onda de marketing musical.
Com ingresso nas mãos era só esperar o dia do show chegar. Os dias iriam se passando com shows dos Djangos acontecendo, trabalhando, conhecendo gente bacana e voltando as gravações no Observatório de Ecos. Tudo isso foi bom para o coração.
Mas o dia estava chegando e a semana estava passando muito calma. Mas sabia que o final de semana prometia. Tudo estava conspirando para que o fim de semana fosse legal. E foi um fim de semana, realmente, feliz.
Enfim sábado, 8 de dezembro de 2007. O grande dia tinha chegado. Marquei com o meu irmão de irmos juntos, e também de encontrar com um outro grande amigo Lismar e de quebra acabei encontrando um outro amigo, Otaner, que não comprou ingresso porque disse que o seu nome estava na lista amiga(rs). O dia estava ensolarado e muito calmo. Fui ao maraca de ônibus. Ao saltar do coletivo uma pessoa me abordou oferecendo uma camisa do show por 15 reais. Tive vontade de comprar logo, mas achei melhor não gastar a grana e esperar pra ver por quanto estava a camisa oficial.
Na fila esperávamos a abertura do portão às 17h. O que aconteceu sem problemas. Foi tranqüilo a entrada e sem confusão. No gramadão recebi telefonemas de amigos querendo saber como estava a situação. Atendi a todas ligações que poderia antes do show. Às vezes pensava que era eu que iria tocar(rs) pelo número de telefonemas que recebia. Na verdade todos sabiam da minha identificação com as bandas que iriam se apresentar no templo do futebol.
Lá vi que o preço da camisa oficial estava salgado, 40 pratas. Não tinha isso no bolso(rs). No gramado encontrei algumas pessoas amigas. Logo fui escolher um lugar cativo para ficar. Não queria ficar num lugar ruim. Lá fiquei esperando o horário do show dos Paralamas que estava programado para as 20h. Incrível, o show começou britanicamente na hora marcada. Com Bi, Barone e Herbert assumindo os seus postos. Atacaram de primeira com "Vital e sua Moto" e o restante sem ordem cronológica, pois não tive o set list nas mãos, mas rolaram só clássicos como "Selvagem", "O Calibre", com Herbert Vianna cantando de "Voodoo Chile" de Hendrix. Na lista estavam, também, "Lanterna dos Afogados", "Lourinha Bombril". Em "Meu erro" Herbert pede pra recomeçar pois a canção começou errada . Pararam e voltaram na pressão. Isso é espírito rocker!! Sem medo de recomeçar a música em pleno maracanã. Mas foi em "Alagados" que a galera caiu no samba.
Olhava para arquibancadas e via pessoas pequenas de tão distantes se requebrando. Aquilo foi lindo. Foi de emocionar. Herbert cantando muito bem. Com uma garra que me deixou emocionado. Foi uma música atrás da outra. Sem deixar ninguém respirar. Na primeira música reparei que o som estava baixo. Dava pra ouvir que o som estava melhorando em cada número. Numa analogia rápida de shows de abertura que assisti, achei que foi o melhor som para uma banda que estava como convidada. No show do Franz Ferdinand, que tocou na noite do U2 no Morumbi, o som estava muito ruim. Por essa comparação dá pra ver que o esforço da técnica dos Paralamas não foi em vão. Os Paralamas estão de parabéns, pois mostraram que apesar de passarem por um choque que foi o acidente do Herbert, não dão desculpas por isso. Fazem um show com garra e com competência. O Paralamas contou com participação de Andreas Kisser em quase todas as músicas e mostraram que  têm fronteiras. Sepultura e Paralamas: bacana isso!! (continua)

criado por djangos    9:13 — Arquivado em: Sem categoria
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