djangos

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9/1/08

gravinas


criado por djangos    0:40 — Arquivado em: Sem categoria

7/1/08

o homem da calça de tergal


vou começar no estilo espírito de porco, mea culpa e "desculpem, que eu cuspi pra cima": só me dei conta de que tinha feito um ótimo negócio ao sair de casa para ver o show maquinado, de lúcio maia (o jimi hendrix de cabrobó), quando o mesmo perguntou à ávida platéia da sala baden powell (humaitá pra peixe), se alguém conhecia bad brains.
foi como um tiro de misericórdia.
perguntei à sara simões, amiga zineira de longa data, se era isso mesmo que ele tinha falado: bad brains, e ela confirmou. fiquei rezando para que fosse uma música de "rock for light", inspirado disco hardcore-dub dos rastapunks estadunidenses. e minutos depois lúcio estava entoando:
"(…) I and I will would never try. No, not I. I and I would never try(…)".
tratava-se de "I and I survive", do disco pelo qual rezei.

pedi perdão: me f****.
por que a culpa?
resumindo bem rapidinho: o recém-lançado "fome de tudo", do nação zumbi, unanimemente incensado pelos meus blogs favoritos, não me encheu os ouvidos. pensei que se tratava de uma aclamação obrigatória, dessas do tipo "deixa eu falar bem também, antes que digam que eu não sou legal". mesmo que "maquinado" tenha sido lançado antes do "fome", achei que essa apresentação de lúcio maia viesse impregnada desse tipo de "oba oba". mas eu paguei para ver e queimei minha língua.
antes, gostaria de reiterar que acho que nação zumbi é uma das melhores bandas do brasil, ou por que não?, a melhor (eu gosto muito do los hermanos também). mas eu não sou obrigado a gostar de tudo que eles fazem, apesar de esperar com muitta atenção seus lançamentos.
resumindo mais uma vez: "perdi, preibói! quebre meu braço!".
depois do bad brains eu me rendi definitivamente, desci do mezanino para a pista, para ficar frente a frente com o homem.
antes, traído pela complexidade de sua parafernália, lúcio havia tentado cantar "zumbi", do jorge ben, com voz de robô (qual é o nome desse efeito mesmo?), mas teve que levar no gogó mesmo.
gogó o cara não tem, mas esbanja personalidade, feeling, talento e chinfra até mesmo para vestir uma calça de tergal com blusa listrada (orientações dadas, pelo que consta nos arquivos da mtv, pelo próprio chico science) sem parecer um zé mané ou um fundamentalista.

depois disso, o que dizer mais?
chega!
vá procurar mais notícias nos outros blogs!
como já havia declarado no nosso fotolog, cheguei em casa com muita vontade de aprender a tocar guitarra.

por dedé a.k.a. homobono
colaborou joão xavi, com a primeira e a última foto dessa postagem. muito obrigado, irmãozinho.

criado por djangos    0:51 — Arquivado em: Sem categoria

4/1/08

não te conheço de algum lugar?

dica do nosso consultor e webmaster bilinho, fã dos ramones, dead kennedys, exploited, ricky martin, entre outros.

aqui tem mais.

divirtam-se

por a diretoria

criado por djangos    10:16 — Arquivado em: Sem categoria

3/1/08

heroes

mc créu

criado por djangos    11:34 — Arquivado em: Sem categoria

o grande irmão não é cafona

acabei de ler "eu não sou cachorro não", de paulo césar araújo. para quem não associou o nome à figura, trata-se do autor da biografia não-autorizada de roberto carlos que foi retirada das lojas  via pendenga judicial.
"eu não sou cachorro não" é de 2002, portanto, anterior à biografia do rei. o título do livro entrega o jogo. nele, araújo fala sobre um tipo de música produzida aqui em pindorama, e que é contemporânea - desde sempre - de chico buarque, caetano veloso, gilberto gil, zé ketti, paulinho da viola, geraldo vandré, nara leão, joão gilberto, jorge ben, etc, mas que não ocupa na historiografia nacional que se dedicou a mapear a produção musical brasileira - de diversos períodos até a época atual - nenhum capítulo sequer. uma música consumida pelas classes c, d, e, f e g, e dita sem qualidade artística, estética ou cultural digna de nota, mas que vendia milhões de discos e dava cacife às gravadoras bancarem a fabricação das canções compradas pelas classe a e b. algo que se convencionou a ser chamado de cafona e era defendido por nomes como odair josé, valdick soriano, fernando mendes, wando, luis ayrão, benito de paula, agnaldo timóteo, paulo sérgio, nelson ned e muitos e muitos outros. o famigerado brega.

para ser mais claro, digamos que se alguém, hoje ou daqui a duzentos anos, se dispusesse a conhecer a música nacional, consultando apenas essas publicações, ignorando o farto material arqueológico de long plays, revistas, jornais e relatórios de bilheterias de show brasil (e mundo) afora, simplesmente, não tomaria conhecimento dos cantores ditos cafonas. araújo dá diversos exemplos dessa tal produção historiográfica, como a enciclopédia da música brasileira e a coleção história da música popular brasileira, e diz que ela foi escrita por gente intelectualizada, chamada de "enquadradores da mpb", ou seja, críticos, historiadores, pesquisadores e musicólogos vindos de castas superiores, o que explicaria esse extermínio do brega na memória nacional. depois disso cita o historiador francês jacques le goff que afirma: "é preciso interrogar-se sobre os esquecimentos, os hiatos, os espaços em branco. devemos fazer o inventário dos arquivos do silêncio e fazer a história a partir dos documentos e das ausências de documentos". o que nos leva a concluir que as classes dominantes também querem dominar o que é contado nos livros através de seu viés pré-fabricado.

lendo "eu não sou cachorro não", lembrei imediatamente do romance de george orwell, 1984. publicado em 1948, orwell contava a história, passada numa inglaterra futurista e descaracterizada territorialmente, de wiston smith, funcionário de um tal ministério da verdade, que enfrentava seu expediente alterando o conteúdo de livros e revistas conforme a situação, favorável ou não, ao regime no poder, nesse caso, personificado pelo famoso big brother. assim, o que era negado ontem, era afirmado hoje e vice-versa, dando a maior trabalheira ao nosso personagem. essa é apenas uma faceta muito prosaica de 1984. leia mais sobre esse fabuloso livro aqui.

imaginei que o grande irmão aqui de pindorama é metido a besta e quer parecer erudito, culto e pernóstico. e para manter as aparências mandou seus funcionários do ministério da verdade excluírem definitivamente o brega de seus registros.

minha preocupação parece datada ou coisa de teoria conspiratória, já que los hermanos e mombojó gravaram músicas de odair josé, e acabou la tequila tocava reginaldo rossi nos seus últimos shows (sabe-se lá que valor sociológico isso possa ter). porém, mete medo saber que outros processos de limpeza histórica podem estar - e estão - acontecendo com vários outros assuntos. coisas sem importância, como política, por exemplo.

"eu não sou cachorro não" também veio ao mundo dizer que o brega não era tão inócuo e inofensivo quanto parecia. vários artistas foram perseguidos, censurados, agredidos e mantinham em suas letras preocupações sociais numa sintonia fina com a gente que a consumia aos milhares, o conhecido povão.

há várias outras histórias interessantes, curiosas e reveladoras nesse tomo. vale a pena tomar conhecimento.

não tenha vergonha de ser brega.

por dedé a.k.a. homobono

criado por djangos    9:32 — Arquivado em: Sem categoria
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