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10/3/08

o agente smith versus os 12 macacos

o primeiro filme da trilogia de matrix é magistral. uma obra-prima da ficção científica que poderia ter tido uma continuação mas decente se não fosse a mentalidade hollywoodiana de querer mostrar algo do tipo "olha como nossos efeitos especiais são f****" e deixar fraquejar o enredo e transformá-lo em algo hiper-mega-ultra.

bem, não é disso que eu queria falar.

uma das passagens mais marcantes de matrix é a cena em que o agente smith faz o interrogatório de morpheus. se você não sabe do que estou falando, vá à locadora e elimine sua ignorância. se você já viu, deve lembrar do sabão que o agente, que não é um ser humano e sim uma espécie de software animado que dá porrada em todo mundo, passa na interface  visual do personagem de laurence fishburne, vulgo morpheus (complicado isso, hein?).

smith compara os seres humanos a um organismo biológico muito simpatico: o vírus, visto a devastação que causamos buscando a simples sobrevivência. a crítica é contundente nesses tempos em que as questões ambientais são ao mesmo tempo urgentes e empurradas sistematicamente com a nossa pança cívica. 

desculpem a minha falta de sensibilidade, mas foi disso que lembrei ao ver a reportagem do bom dia brasil, na rede globo, sobre a ocupação das áreas dos mananciais que abastecem a grande são paulo.

é muito fácil entender essa história. junte corrupção, ganância, necessidade, falta de educação (favor não confundir com rudeza ou grosseria) e falta de consciência social e você produz um bairro como o cantinho do céu, mostrado na reportagem,  ocupado por uma população de baixa renda. a necessidade e o senso de oportunidade fizeram com que  se instalassem perto da fonte d’água, sem sequer notarem que havia algo de errado em se assentarem ali e a levantarem suas moradias.  quem deveria fiscalizar e impedir a ocupação fez vista grossa visando os votos de mais um curral eleitoral forçado.

não só a população de baixa renda se instala na área dos mananciais. várias mansões e clubes suntuosos são encontrados às margens das represas, fruto, de novo, da corrupção e do discernimento tardio dos legisladores. imagine que um dos resultados dessa empreitada é um crescente volume de esgoto indo justamente para a fonte de água doce que abastece são paulo.

o que diria o agente smith ao se materizalizar às margens da represa bilings? 

em todo o caso, f******* o agente smith, até porque o neo (keanu reeves) tratou de dar um format c: nele. eu penso que se  fosse um pai de família ganhando mal mas fazendo das tripas coração para juntar uma poupança e me deparasse com a oferta de um terreno por um preço acessível, pensar se estou perto ou não de um manancial seria a última coisa que faria. daqui do alto de minha cobertura duplex na boulevard edgard werneck é muito fácil cobrar consciência ecológica de um monte de gente bem distante de mim.

 represa bilings (sp)

qual seria a nossa atitude em relação ao meio ambiente se tívessemos educação (ampla e irrestrita) nas escolas e dentro de nossas próprias famílias?

seria jogar a lata de cerveja ou de dolly na lixeira em vez de ser pela janela do carro ou do ônibus?

seria não colocar uma caixa de som no meio da rua e não obrigar as pessoas a escutarem música da qual elas não gostam em um volume ensurdecedor?

seria frear calmamente seu carro ao ver o sinal vermelho e um monte de gente esperando para atravessar a rua?

ou então ver passeatas com milhares de pessoas que se importam com o desmatamento da amazônia acabarem em conflito , pois seus participantes estão realmente engajados na causa e levariam suas idéias às últimas conseqüências? ou a criação de dezenas  grupos mais radicais que o exército dos doze macacos (como no filme de mesmo nome)?

ou então, quem sabe?, a postura ética de não instalar residência ou atividades comerciais de extração em áreas de proteção ambiental, porque tais locais seriam quase que sagrados e objetos de nossa proteção máxima. tal postura viria não só do cidadão mas de seus representantes políticos e administrativos, o que evitaria episódios como esses do cantinho do céu e outros bem conhecidos por aqui no rio de janeiro.

já que criamos tantas distopias, não custa nada sonhar com as utopias.

 

 

 

por dedé a.k.a. homobono

criado por djangos    12:31 — Arquivado em: Sem categoria

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