24/4/08
eu não estou lá
serj tankian, system of a down (será que é ele mesmo???)
estou caminhando pela edgard werneck boulevard, absorto nas minhas preocupações quando subitamente um maluco do outro lado da rua acena para mim. sinceramente, não o conheço, mas ele diz o meu nome e o da minha banda. ôpa, nós temos um fã.
descontando o fato de eu estar sem os meus óculos, eu logo descobriria que quem me acena acabara de passar por um regime alimentar que o desfigurou e o tornou irreconhecível a mim e a muitos de seus credores.
desfeita a confusão inicial, colocamos a conversa em dia, visto que há tempos não encontrava o figura.
a minha parte, bem, vocês sabem alguns detalhes dela, né? tudo como sempre, muito emocionante.
porém, foi o que ele disse que soou bombástico, tanto que eu preferi não acreditar.
entre outras coisas, contou ter passado uma temporada nos estados unidos trabalhando para um grupo que estava desenvolvendo e explorando nada mais nada menos que projeções holográficas, no que me pareceu, voltadas ao showbusiness. como meu amigo era baterista, ele ficava tocando enquanto algumas câmeras o filmavam. depois de passar não sei por que processos, ele estava lá tocando bateria em três dimensões. ou melhor, ele não estava lá. quem estava era um holograma seu.
no primeio episódio de guerra nas estrelas, o andróide c3po, luke skywalker e o mba em artes jedi, obi wan kenobi assistem a um show holográfico da princesa léia
ele alegou que isso pouparia os músicos de longas turnês e viagens intercontinentais cansativas, que em alguns casos provocam, de fato, um colapso físico.
"veja bem, meu caro", ele tratou de me ensinar, "o músico pode muito bem estar no camarim durante seu próprio show e depois que esse acabar, ele recebe os convidados e dá autógrafos e tira fotos e come os sanduíches e bebe vinho".
depois de cinquenta e quatro minutos de conversa, me despeço. incrédulo, cético e cansado.
tudo corria bem para mim até eu me deparar com isso aqui, via urbe, de bruno natal.
o blogueiro, atualmente residindo em londres, fala sobre o u2 3d movie, o primeiro filme em 3d de uma banda de rock, que, claro, se não fosse de sandy&júnior, tinha que ser de bono e cia. e divagando sobre o tema, nos revela que o vocalista do system of down, serj tankian andou dando entrevista ao guardian, defendendo as possibilidades das turnês de agora em diante se tornarem holográficas.
ôpa, peraí!!! quer dizer que aquele meu amigo não é do caô e estava me falando a verdade???
o guardian, depois de um certo tom de galhofa, enumera as possíveis vantagens de os shows se tornarem de mentira (ôpa, quer dizer, holográficos), como não queimar combustível andando de avião por aí e poupar a natureza de milhares de garrafas d’água vazias produzidas pelos festivais de rock. como alento, serj alega que para as bandas pequenas e com menos grana, seria um grande negócio tocar mais e poder cobrar ingressos mais baratos.
tá bom, serguei. tá bom!!!
pouco a pouco, a ficção científica vai perdendo a graça. lembre que as gravações fonográficas detonaram a indústria das partituras musicais. o vinil foi dizimado pelo compact disc, que foi vitimado pelo mp3, que foi… (daqui a cinco anos você vai saber).
com essa derrocada da indústria fonográfica, todo mundo notou que a única coisa que ainda dava dinheiro eram os shows ao vivo (há, não esqueçam, o mercado de dvds, que parece bem movimentado). quando se pensa que nada pode substituir a apresentação de uma banda, com sangue, suor, lágrimas, tendinite, calo nas pregas vocais, jet leg e estafa, aí surgem os hologramas.
corta a cena
rio de janeiro, 25 de abril de 2011. cristiano marques e francisco júnior, do escritório que trabalha com os djangos, convocam seus integrantes para informar que a banda fará, finalmente, uma turnê européia. dedé aka homobono tem um sobressalto ao imaginar que agora vai conhecer lisboa, barcelona, o estreito de gibraltar, londres, paris, bruxelas, amsterdan, antuérpia…mas leva um solavanco maior ainda quando se vê sem um passaporte (afinal o único lugar fora de pindorama que conheceu foi o paraguay), e isso leva tempo para se resolver. logo, vem o balde de água fria. júnior e cristiano falam que, na verdade, trata-se de uma turnê holográfica. os djangos vão tocar num estúdio no pechincha, em jacarepagué mesmo, enquanto suas imagens vão chegar em 3d em várias paragens do velho mundo.
maldita tecnologia.
por dedé a.k.a. homobono
criado por djangos
17:26 — Arquivado em:
"esteja alerta para a regra dos três: o que você dá, retornará para você. essa lição, você tem que aprender. você só ganha o que você merece".
um canário? mike muir (suicidal tendencies)? rudeboy (urban dance squad)? marcelo frommer (titãs) do microfone?
"daqui da minha prisão domiciliar/ ouço os barulhos/ os barulhos do lado de lá…"
