18/6/08
a liga da justiça


Rio - Por falar em Melancia, ela e o MC Créu foram detonados por Aguinaldo Timóteo, ontem (17/06/2008), no programa da RedeTV! Bom Dia, Mulher. O cantor disse que ela era apenas uma bunda bonita, e que o Créu ficou famoso por fazer um gesto obsceno. Andressa (Soares, a Mulé Melancia) se defendeu (???): “Tô nem aí pra crítica. Quero é ser feliz enquanto meu sonho durar”. Créu não comentou porque estava no avião, voltando da turnê em Londres (Inglaterra).
enquanto isso no jam sessions, jamari frança escreveu que das 20 músicas mais tocadas no rio de janeiro, cinco são funks. o título da postagem é o "Emburrecimento das massas em pleno vapor". seu teor é virulento e sai dando tapa nos atuais medalhões da música popular (posso usar a sigla mpb???): da onipresente ivete sangalo a - o que parece ser uma nova dupla sertaneja - shit-ãozinho e shit-toró (sic). de todas as atuais disponíveis, essa foi a postagen que recebeu mais comentários, um pouco menos de duzentos, quase todos falando mal do batidão carioca e entronizando o black sabbath, scorpions, pink floyd, credence clearwater revival , peter frampton e adjacências.
o nome disso é choque de monstros ou choque de gerações? do mesmo jeito que o funk choca e causa asco hoje, o samba, o jazz e o rock n’roll, cada um a seu tempo e no seu lugar, embrulharam o estômago de muita gente.
hoje, se dez mil pessoas viram a cara, dez milhões estão dançando até o chão e parando para ver o dvd da furação 2000 na banca do camelô, justo quando andressa mostra seu pequeno problema ortopédico e dança o créu. há alguns moderados que dizem que o problema do funk - visto que o pancadão é devastador - são as letras primárias, sexistas (ou pornográficas) e bobas.
na era em que as crianças, como essas que eu encontro na minha rua, por exemplo, ordenam de forma natural, espontânea e a plenos pulmões que seus coleguinhas introduzam a contragosto qualquer objeto contundente no orífício pelo qual os restos da alimentação saem, ninguém pode ficar chateado, se por acaso, algum carro parar ao seu lado tocando uma música cuja letra diz que a mulher não gosta de órgãos genitais masculinos pequenos ou então as posições do ato sexual preferidas de quem canta ou constatar que a gravidez infantil e adolescente galopa nas estatísticas do ibama.
o funk da chatuba de mesquita (o clássico "atenção! chegou chatuba!") era divertido, reconheço. mas isso não me dá o direito de explodí-lo no ouvido de ninguém, com o pretexto de mostrar-me um sujeito bacana, pegador de mulher e capaz de pagar em 36 prestações um som cheio de cornetas no porta-mala do meu chevette.
andressa, a mulher-melancia, diz estar vivendo um sonho. quem sou eu para desdenhar das aspirações das pessoas? mas me pergunto: que sonho é esse, surgido da noite pro dia, de ganhar dinheiro mostrando, como diria jj aquino, o habibs?
dar de cara com a propalada inversão de valores, ou a perda destes está virando uma espécie de antibiótico sem efeito, nosso descalabro adquiriu uma imunoresistência, tanto que achei bonito e engraçadinho meu sobrinho de oito anos imitando o mc créu (curioso que agora ele aprendeu que quem dança créu acima da velocidade 3 ganha neném).
fora isso, acho que estou ficando velho. apesar de achar o ritmo do funk bacana, devo confessar que sou do tempo em que se achava que atos traziam conseqüências para si e para seus semelhantes (nesse caso, milhares de crianças que aprendem inocentemente como é que se copula e as suas mães-avós ou avós-mães orgulhosas). sou do tempo em que se cantava mais ou menos assim:
"gatinha que danç’éssa?/que o corpo fica todo mole/gatinha que danç’éssa?/que o corpo fica todo mole/ é uma dança nova que bole-bole/que bole-bole/é uma dança nova que bole-bole/que bole-bole(…)"
por dedé a.k.a. homobono
criado por djangos
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