2/9/08
Djangos no Elam por Leonardo Enzo
Quando eu soube que os Djangos se apresentariam no Elam, pensei: “Esse eu não vou perder!” É bem certo que “Jacarepaguá é longe pra caramba” como os próprios cantam em uma de suas canções, mas não é de hoje que ouço falar dos shows memoráveis que esse trio já fez por lá! Pois bem, após uma breve “calibrada” no Castelo dos Vinhos (nota do editor: o estabelecimento não é endorser de nenhum integrante da banda), lá estávamos, eu e dois amigos naquela noite chuvosa de sábado. O evento é um velho conhecido da cena carioca, se trata de uma escola de música onde o dono, Leandro Elam, abre as portas nos finais de semana para artistas independentes mostrarem os seus trabalhos. Uma bela iniciativa, sobretudo por que o ingresso é um quilo de alimento, revertido para instituições de caridade.
Natural que as condições climáticas tenham afugentado um pouco o público, mas era notável que aquele número razoável de pessoas estavam bem atentas as bandas que sucessivamente se apresentavam. Sim! Ainda existem pessoas que saem de casa em noites assim em busca do novo!!
Pouco depois das 11h chegou a hora mais esperada da noite! Nesse momento os rumores se fizeram valer, a aproximação das pessoas ao palco e o frisson anunciavam, os Djangos iriam começar! Corri no bar para mais uma cerveja, arrumei um lugar perto do palco e a essa altura o som já comia solto! Quem passasse na rua duvidaria que apenas três caras estivessem fazendo tamanha massa sonora!
Natural que as condições climáticas tenham afugentado um pouco o público, mas era notável que aquele número razoável de pessoas estavam bem atentas as bandas que sucessivamente se apresentavam. Sim! Ainda existem pessoas que saem de casa em noites assim em busca do novo!!
Pouco depois das 11h chegou a hora mais esperada da noite! Nesse momento os rumores se fizeram valer, a aproximação das pessoas ao palco e o frisson anunciavam, os Djangos iriam começar! Corri no bar para mais uma cerveja, arrumei um lugar perto do palco e a essa altura o som já comia solto! Quem passasse na rua duvidaria que apenas três caras estivessem fazendo tamanha massa sonora!

“Djangos toots uh-la-lá” abre o show e dá as cartas! Um groove bem tramado nos dá a pista que nada ficaria inerte naquele lugar! Em plena forma os rapazes mostram por que são tão estimados na cena carioca. Ainda sob os aplausos entusiasmados, sem dar tempo pra respirar, eles atacam de “Operação São Jorge”! Repleta de imagens e signos ela nos remete a um cotidiano tipicamente carioca em cores vivas!
“O alvo”, “Imigrante ilegal” e “Sopa de Jornal” mantêm aceso um público que interage em todas as músicas.
A essa altura a impressão que se tem é que o Djangos é um time grande, em final de campeonato, jogando em casa!! E como bons anfitriões, eles partem pra cima!
O riff anuncia: “Raiva contra o oba oba” atinge o ponto máximo do show. A faixa título do primeiro álbum da banda é cantada por todos! Sem se conter, Homobono, pula do palco e entranhado no meio do público faz do show um “happening”! No seu “playground” ele se diverte como um menino! E contagia como só os meninos são capazes! Naquele instante ele tem um reinado, e afinal de contas todo menino é, de fato, um rei!
Nesse clima festivo, Marco arrisca o hino do tricolor carioca, prontamente boicotado pelo baixista Carlyle, rubro negro roxo! Inevitável foram as vaias que logo se confundiram com bagunça e aplausos. Os caras são assim, bem humorados, descontraídos, alegres, o que nem de longe quer dizer que estão de brincadeira.
Djangos é ensolarado! É a cidade inquieta com a violência e acariciada pela fé, que se não chega a ser cega, ao menos caolha é!! É a trilha de uma viagem num trem trepidante e ritmado onde no mesmo vagão estão socados o humor e a tragédia, o carnaval e a penitência, a cidade de Deus e a lei do cão, o repente e a guitarra, a gelada pra garganta e o quente pro santo, o sotaque nordestino, a pelada clássica na periferia, os fogos do subúrbio e o reggae da Jamaica, o ragga, o black, o punk, o rock e muito ska!
O “Power” de um trio! Ufa, bem que eu disse que esse trêm estava lotado… A bordo dessa viagem musical pela janela vemos uma cidade cheia de montanhas, praias e contrastes, tão intensamente observada por esses rapazes da Zona Oeste. E por fim, no alto da alegoria sob trilhos, podemos vê-los! Três “surfistas” que fazem de suas vidas o palco! De suas verdades, música. E assim o show prossegue!

Neil Young é revisitado em “Rock in the free world” no mesmo medley que os seus mestres do Paralamas são reverenciados com “Selvagem”. O anfitrião, Leandro Elam, é chamado ao palco para uma palha no teclado, o que dura exatamente uma música. A saideira fica por conta de “Forrockers”, que guarda em si o estrondo e a crueza do nordeste num rock visceral. Estará no próximo trabalho dos caras, vale a pena conferir!
O bis é “Sossego” do Tim Maia, que encerra a festa, com ares de show.
Ovacionados eles se despedem. Se fosse “aquela final”, só restaria a volta olímpica…
No backstage ainda pude cumprimentá-los e trocar breves palavras. Nos semblantes a satisfação e alegria do “dever cumprido”, quando percebi novamente o silêncio, notei que naquela noite teria a fiel companhia de um apito agudo soando em meus ouvidos. Fiel para todos os presentes, acredito!
Saí do Elam crendo ter vivido naquela noite fria, o dia mais quente do ano! E que venham outras, afinal de contas, Jacarepaguá é logo ali.
Leonardo Enzo, é o responsável pela guitarra sangüínea e pelos vocais ardorosos dos habitantes (na foto abaixo, ele aparece de camisa azul ao lado do baterista jefferson e do baixista vicentini). o cara se amarra em britpop, indie e na boa música em geral, além de colecionar vários filmes do quilate de taxi driver, de martin scorcese. muito obrigado, léo.

criado por djangos
13:15 — Arquivado em: 

Descobri que conheço mais uma do Jota Quest e menos uma do Djangos!
Preferia que fosse o contrário…
Pior foi quando, ainda moleque, fui no show de uma banda de amigos no Garage. No set várias composições próprias e um único cover! Após a apresentação, trocando aquela idéia com eles, todo mundo empolgado, mandei: “Caras, curti as músicas de vocês! Principalmente aquela (cantarolando) pavão misterioso, pássaro formoso!” Eles se olharam e de cara percebi que alguma coisa estava errada!rs
Naquela noite descobri que gostava de Ednardo!
Rapazes, desculpem-me, mas podia jurar que está música era de vocês! Fiquei surpreso, ao conversar com o Marco e saber que nem ao menos vocês já levaram esse cover! Que coisa insólita… Vou seguir seu conselho, Marco! Parei! rs
2 constatações:
Continuo sem gostar de Jota!
e preciso ouvir mais Djangos…
abraços
Comentário por leonardo enzo — 4 de setembro de 2008 @ 13:18
É… o Lyle boicotou o hino do meu Flusão, uahuahua!
Showzaço, galera!
abbsss
Comentário por Lismar — 13 de setembro de 2008 @ 16:26
De fato e de lei, Os Djangos é uma força isceral que poucas bandas de hoje possui. Já vi os caras varias vezes e sei bem o que o Léo sentiu e traduziu pra gente nesse texto belÃssimo sobre uma noite fria e quente pra caramba! À propósito, o que vc anda lendo pra escrever tão bem assim, heim! rsrss! Imagino! rsrss…
Comentário por nem queiroz — 15 de setembro de 2008 @ 9:12
De fato e de lei, Os Djangos é uma força isceral que poucas bandas de hoje possui. Já vi os caras varias vezes e sei bem o que o Léo sentiu e traduziu pra gente nesse texto belÃssimo sobre uma noite fria e quente pra caramba! À propósito, o que vc anda lendo pra escrever tão bem assim, heim! rsrss! Imagino! rsrss…
Comentário por nem queiroz — 15 de setembro de 2008 @ 9:12
não gosto dessa banda.
o vocalista fica todo molhado no show.
o baixista tem cabelo grisalho.
o baterista usa luvinha para pegar nos pratos.
meu negócio é engenheiros do hawayy!
“infinita rai-ueiiiiiii”!!!
rock!!!
rock!!!
Comentário por simony — 17 de setembro de 2008 @ 14:04