3/10/09
Do tempo da graça e da magia
Meu pai sempre me falou nele com entusiasmo, sorrindo, gaguejando, e até salivando, quando tentava relatar o que viu dentro das quatro linhas. Ele denunciava toda estripulia que aqueles pés notáveis celebravam a cada drible, a cada gol. Do jeito que ele falava, me dava a idéia de um ser que não era desse mundo, mas exclusivamente do mundo da bola. Parecia que o cara em questão era um mago que podia fazer tudo que a cabeça pensava. E assim soltava risos e aplausos de todos no maior do mundo. Já conversei com contemporâneos de meu pai e eles passariam por uma acareação sem problemas – a história é a mesma.
Pois é. Garrincha é idolatrado por aqueles que o viram jogar. E quem não viu como eu, resta ficar pesquisando pra ver se tudo aquilo é verdade. Seria este o único ET do futebol a gerar toda essa comoção, algo irreal? Mas é o que parece: um cara que não existiu, foi inventado por uma legião de fãs, um ideal de pensamento coletivo a serviço do futebol moleque.
Tá bom…o interesse de ver as jogadas é muito grande! Aí nesse vídeo tem algumas cenas que não tinha visto. Fiquei feliz. Mas para a gente que vê esse futebol quadrado e competitivo ao extremo – onde a força é maior do que a técnica – parece que os defensores davam mole para ele. Como pode? O cara deve ter feito pacto com o capeta… Hoje ele jogaria assim? Do ponto de vista do meu genitor, claro que sim! “deixaria esses cabeças-de-bagre com as pernas mais tortas do que a dele”, filosofa “seu” Moacir.
por Alexandre Aquino

criado por djangos
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