11/7/08
QUE A FORÇA ESTEJA CONTIGO, BILINHO!
Ver + no nosso fotolog www.fotolog.net/djangos
bilinho skywalker ramone
o passe jedi
por JJ Aquino
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o passe jedi
por JJ Aquino

Pela primeira vez no Rio de Janeiro(29/6), um dos grupos mais respeitados do ska mundial (www.myspace.com/nysje)
Participação especial de BNEGÃO. DJANGOS e COQUETEL ACAPULCO fazem os shows de abertura da noite.
DOMINGO - 29 de JUNHO - 18h00 - RIO DE JANEIRO/RJ
New York Ska-Jazz Ensemble (participação BNegão)
DJs: MPC/Digitaldubs e Juca & Laos/Bangarang SS
Abertura: Djangos e Coquetel Acapulco
Teatro Odisséia (Av. Mem de Sá, 66)
Lapa - (21)2266-1014
$ 25 (meia-entrada e antecipado para os 100 primeiros)
$ 30 (1º lote de ingressos antecipados promocionais)
$ 35 (2º lote de ingressos antecipados promocionais)
$ 40 (3º lote de ingressos antecipados promocionais)
$ 50 (inteira)
Pontos de venda
La Cucaracha (Teixeira de Melo, 31H - Ipanema)
Áudio Rebel (Visconde de Silva, 55 - Botafogo)
Livraria Berinjela (Rio Branco, 185 - Loja 10 - Subsolo - Centro)
Baratos da Ribeiro (Barata Ribeiro, 354A - Copacabana)
E também pela internet www.punkshop.com.br


Rio - Por falar em Melancia, ela e o MC Créu foram detonados por Aguinaldo Timóteo, ontem (17/06/2008), no programa da RedeTV! Bom Dia, Mulher. O cantor disse que ela era apenas uma bunda bonita, e que o Créu ficou famoso por fazer um gesto obsceno. Andressa (Soares, a Mulé Melancia) se defendeu (???): “Tô nem aí pra crítica. Quero é ser feliz enquanto meu sonho durar”. Créu não comentou porque estava no avião, voltando da turnê em Londres (Inglaterra).
enquanto isso no jam sessions, jamari frança escreveu que das 20 músicas mais tocadas no rio de janeiro, cinco são funks. o título da postagem é o "Emburrecimento das massas em pleno vapor". seu teor é virulento e sai dando tapa nos atuais medalhões da música popular (posso usar a sigla mpb???): da onipresente ivete sangalo a - o que parece ser uma nova dupla sertaneja - shit-ãozinho e shit-toró (sic). de todas as atuais disponíveis, essa foi a postagen que recebeu mais comentários, um pouco menos de duzentos, quase todos falando mal do batidão carioca e entronizando o black sabbath, scorpions, pink floyd, credence clearwater revival , peter frampton e adjacências.
o nome disso é choque de monstros ou choque de gerações? do mesmo jeito que o funk choca e causa asco hoje, o samba, o jazz e o rock n’roll, cada um a seu tempo e no seu lugar, embrulharam o estômago de muita gente.
hoje, se dez mil pessoas viram a cara, dez milhões estão dançando até o chão e parando para ver o dvd da furação 2000 na banca do camelô, justo quando andressa mostra seu pequeno problema ortopédico e dança o créu. há alguns moderados que dizem que o problema do funk - visto que o pancadão é devastador - são as letras primárias, sexistas (ou pornográficas) e bobas.
na era em que as crianças, como essas que eu encontro na minha rua, por exemplo, ordenam de forma natural, espontânea e a plenos pulmões que seus coleguinhas introduzam a contragosto qualquer objeto contundente no orífício pelo qual os restos da alimentação saem, ninguém pode ficar chateado, se por acaso, algum carro parar ao seu lado tocando uma música cuja letra diz que a mulher não gosta de órgãos genitais masculinos pequenos ou então as posições do ato sexual preferidas de quem canta ou constatar que a gravidez infantil e adolescente galopa nas estatísticas do ibama.
o funk da chatuba de mesquita (o clássico "atenção! chegou chatuba!") era divertido, reconheço. mas isso não me dá o direito de explodí-lo no ouvido de ninguém, com o pretexto de mostrar-me um sujeito bacana, pegador de mulher e capaz de pagar em 36 prestações um som cheio de cornetas no porta-mala do meu chevette.
andressa, a mulher-melancia, diz estar vivendo um sonho. quem sou eu para desdenhar das aspirações das pessoas? mas me pergunto: que sonho é esse, surgido da noite pro dia, de ganhar dinheiro mostrando, como diria jj aquino, o habibs?
dar de cara com a propalada inversão de valores, ou a perda destes está virando uma espécie de antibiótico sem efeito, nosso descalabro adquiriu uma imunoresistência, tanto que achei bonito e engraçadinho meu sobrinho de oito anos imitando o mc créu (curioso que agora ele aprendeu que quem dança créu acima da velocidade 3 ganha neném).
fora isso, acho que estou ficando velho. apesar de achar o ritmo do funk bacana, devo confessar que sou do tempo em que se achava que atos traziam conseqüências para si e para seus semelhantes (nesse caso, milhares de crianças que aprendem inocentemente como é que se copula e as suas mães-avós ou avós-mães orgulhosas). sou do tempo em que se cantava mais ou menos assim:
"gatinha que danç’éssa?/que o corpo fica todo mole/gatinha que danç’éssa?/que o corpo fica todo mole/ é uma dança nova que bole-bole/que bole-bole/é uma dança nova que bole-bole/que bole-bole(…)"
por dedé a.k.a. homobono
estou apaixonado por ela: mallu magalhães
há muito tempo minha mãezinha proferiu que gostaria que sua filha (em tempo: a minha irmã mais nova) fosse como a sandy (da dupla hardcore sandy&júnior). confesso que ela, que havia sido iniciada no skaraggapunkrock por mim e já estava assimilando seu próprio repertório de artistas preferidos (como pato fu e los hermanos), ficou revoltada com essa comovente revelação.
lembrei-me desse episódio hoje por ocasião de ver algumas imagens da ultra-hypada mallu magalhães no youtube. por se tratar de um suposto hype, em que todos parecem querer falar bem para não ficar fora da panela, eu nunca dei bola para mallu. até tentei escutar suas músicas no myspace, mas não gostei e a deletei de meu escaninho. recentemente, sua voz pôde ser escutada num comercial da claro. isso mesmo, aquela empresa de telefonia (i)móvel.
mas hoje, pela manhã, ao assistir um vídeo com uma visita sua ao altas horas, do sérgio grossman, tudo mudou . bastaram poucos segundos ouvindo sua entrevista para que eu me apaixonasse por mallu. e aproveito aqui para me desculpar com a nossa querida daniela pastore, nossa técnica de protools lá no estúdio observatório de ecos, que já havia falado mil maravilhas de mallu e que eu resolvi ignorar. pelos mesmos motivos, envio meu pedido de retratação ao andré monnerat e ao antonio carlos monteiro.
como eu já sou burrovelho (3ponto5), fica difícil imaginar um romance meu com mallu (até por causa do código penal e do estatudo da criança e do adolescente - ela tem apenas 15 anos). por isso proclamo que gostaria que minha filha fosse assim que nem a mallu.
mallu é lindamente tímida e engraçada, ou timidamente linda e meiga, e seu tom de voz lembra muito o de fernanda takai (pato fu). quase toda frase que ela termina vem com uma risadinha deslocada, coisa de criança envergonhada ou ingênua, como a personagem de scarlett johansson, em "scoop", de woody allen.
woody allen e a musa scarlett johansson, em "scoop"
por conta dessa meiguice e dessa ingenuidade, alguns comentários no youtube acusam mallu de ser menos desenvolvida mentalmente que uma criança de 9 anos. devem ter dito isso porque mallu, ao fim de sua apresentação no altas horas, faz questão de presentear duas pessoas da platéia jovem do programa que chamaram sua atenção, com um desenho sub-naïf. cúmulo da gentileza.
vários outros comentários vêm de pessoas que disseram estar perdidamente apaixonadas ou que, finalmente, encontraram sua alma gêmea.
não vou falar de suas músicas, que depois desse arrebatamento soaram até melhores. mas como calculou daniela pastore, se com quinze anos ela já tem essa inspiração toda imagina quando ela tiver na casa dos 20. e quem sabe?, cantando algumas canções em português.
juventude longa, mallu.
por dedé a.k.a. homobono
por conta de uma conversa com a amiga claudia reitberger a respeito de quem poderia ser uma gravura que ela descobrira por acaso, passamos a conversar sobre artes gráficas, pintura, grafite e chegamos à exposição que o museu de arte moderna de londres, o tate modern, está fazendo nas suas paredes externas, com o trabalho de sete grafiteiros escolhidos ao redor do mundo (três deles brasileiros, os gêmeos e nunca - sensacionais essas alcunhas).
vendo cada uma das figuras em exposição, a que mais me chamou a atenção (e de muita gente, creio eu) foi a do fotógrafo francês jr. em pb, jr fez uma gigantesca pintura de um homem negro segurando uma câmera. porém, o homem porta o objeto de tal maneira que somos levados a pensar que se trata de uma arma de fogo (eu mesmo pensei quando vi a imagem na televisão).


fazendo minhas pesquisas, fui parar no site do coletivo de cineastas franceses chamado kourtrajmé (o nome é uma espécie de trocadilho com o nome curta-metragem, em francês), onde havia o anúncio de um dvd contendo o documentário "365 jours à clichy-montfermeil", realizado por ladj ly, um dos integrantes do grupo, e que fala sobre os distúrbios que ocorreram nos subúrbios (banlieue) de paris, em 2005.
essa conexão mostra um certo engajamento social de jr, que é famoso em toda a europa, por seu trabalho feito de forma quase clandestina, já que ele não tem autorização para fazer o que faz.
ele é autor, junto com marco, um ativista tunisiano, do interessante projeto-livro, face2face. o trabalho, como eles mesmos dizem, tem o intuito de mostrar as semelhanças entre palestinos e israelenses, separados por conflitos, mas que se parecem, têm as mesmas profissões e falam as mesmas línguas, "como irmãos gêmeos criados em famílias diferentes".
retratos de judeus e palestinos foram colocados lado a lado em diversos lugares da zona de conflito, como um muro que separa os bairros árabe e judeu. eles alegam que o face2face é necessário e profetizam que em poucos anos haverá um novo projeto chamado "mãos em mãos".
amém! shalon! inshalá!




por dedé a.k.a. homobono
ps.: a segunda foto é de autoria de bruno natal (urbe)

essa aqui eu conheci graças ao blog do carlão, do netunos.
na verdade, eu já a conhecia, do programa do raul gil, aquele que mais explora crianças (de três a cinco anos) na televisão brasileira e que as expõe a tarefas árduas como pronunciar nomes complicados de lugares - itaquacetuba, pindamonhongaba, anhangabaú, etc. - para deleite dos adultos letrados (ou não) que se orgulham de já dominarem o aparelho fonador.
trata-se da apresentadora maísa, do sábado animado, no sbt.
talvez seja uma parente da menina pastora possuída, aquela que prega em cultos protestantes e que virou hit no youtube.
só que nossa maísa é ultraprafrentex e com cinco anos de idade, encaixa-se no perfil daquelas pessoas que chamamos de figura.
encarregada de conduzir as brincadeiras que dão prêmios às crianças de todo o brasil e que telefonam para o programa, maísa procura se divertir enquanto enfrenta mais uma jornada de trabalho infantil. então, trata de desfilar suas coreografias (de rouge, passando pelo mc créu até às do padre marcello rossi) com muito domínio de sua psicomotricidade incipiente, debochar do sotaque e das limitações de sua própria audiência, encantar-se com um playstation que abre e fecha, imitar os manos do rap paulista, dar esporro na produção por pequenos descuidos, simular que está alcoolizada e mostrar que já conta de um a dez, em inglês. tudo isso, com um raciocínio tão rápido que me causa inveja.
ao investigar no youtube, o link fornecido pelo carlão, vi que maísa tem uma legião de fãs e um monte de clips com seus "melhores momentos" (veja esse aqui só para ter uma idéia)
sônia braga e garibaldo? capitão asa? bozo? xuxa? sérgio mallandro? mara? balão mágico com fofão?
esqueça tudo isso.
vivemos agora sob a égide da pequenina maísa.
por dedé aka homobono



Pela primeira vez não vi confusão para entrar na Fundição Progresso. Tudo muito tranqüilo, e logo percebi que muita coisa tinha mudado por lá. Com bares abertos e uma lojinha com artigos femininos que vão de bolsas, camisas a até cadeiras e decoração de interiores, dando uma movimentação a mais no local.
Antes do show um dj mandou bem nas carrapetas, tocando sambas antigos que conquistou a galera de cara. Com isso confirmei as minhas suspeitas, o samba virou moda. Coisa boa, mas espero que a galera não fique só no modismo. Acho, e sempre acharei que existe espaço pra todos os estilos.
Com a galera aquecida, Lenine subiu ao palco por volta de 01h30 com a Fundição praticamente tomada. Estava na expectativa da equalização do som, já que várias vezes me falaram que a acústica não ficara muito boa, mesmo depois da reforma do local onde acontecem os shows.
Lenine toca e na primeira audição percebo que o som está baixo e embolado. Pelo menos de onde estava não se escutava direito o que se passava no palco. O público estava ávido pela apresentação do cantor. Acho que por isso não deram importância ao problema mencionado, porque vi muitas pessoas dançando e cantando as músicas do cd Acústico MTV do cantor e músico pernambucano. Logo percebi uma menina que estava a minha frente que não parava de dançar e de cantar, dando um exemplo de como o clima do show estava bom e bonito. Lenine vestia uma camisa de Nossa Senhora e falou do falecimento e da importância de Zélia Gattai, imediatamente fiz uma analogia com a estampa e o fato mencionado pelo artista. Bacana a camisa e a lembrança à escritora.
Durante o show percebo o bom entrosamento da banda. Acho legal um artista solo que mantém os músicos tocando junto durante um tempo. E isso se reflete na execução das músicas que acaba fazendo com que Lenine e banda soem como uma coisa só. O show teve duração de quase duas horas. Tempo este que passou despercebido.
Um ponto ruim foi o horário e a ordem dos shows. Jonas Sá faria abertura e a banda Bangalafumenga faria o encerramento da noite, o que não aconteceu. Infelizmente estes dois artistas tocaram depois do show de Lenine. O correto seria usar o evento para divulgar, também, novos artistas. O que aconteceu foi que muitas pessoas acabaram indo embora, e para mim ficou tarde para continuar na Fundição Progresso. Acabei pegando o meu chapéu e voltando para Jacacity com os pensamentos voando longe…
por JJ Aquino

durante seus primeiros dias de férias, em janeiro desse ano, o coronel da polícia militar do estado de são paulo, josé hermínio rodrigues, 48 anos, foi assassinado com seis tiros de pistola calibre 380, enquanto andava de bicicleta, desarmado, depois de sair de uma padaria. o coronel rodrigues, segundo reportagem da folha de são paulo, acompanhava as investigações sobre colegas seus que teriam participado de chacinas, e era conhecido entre seus pares por ser favorável à punição de pms que cometem irregularidades.

domingo, 18 de maio de 2008. o delegado da polícia civil do rio de janeiro, alcides iantorno, 66 anos, 40 dos quais prestados ao serviço público, é morto com um tiro na nuca, quando entrava, desarmado, num supermercado para comprar pão. no seu histórico, iantorno já havia fechado um bingo assim como enfrentado a milícia que comanda a favela kelson’s (um arquétipo de comunidade carente dominada por paramilitares), na penha. seus colegas dizem que ele nunca esteve envolvido em nenhum episódio que manchasse sua reputação e a imprensa ressalta que é a essa é
primeira vez, em 30 anos, que um delegado é executado no rio de janeiro. (segundo o blog de jorge antonio barros, o delegado octávio gonçalves moreira júnior, que trabalhava para o dops de são paulo, foi morto em 1973, em copacabana por integrantes da luta armada, portanto, nada a ver com atos intimidatórios do tráfico de drogas, milicianos, contraventores ou adjacências)
quando os canibais fazem greve de fome a gente sai para passear pela cidade. a cobra parece morder o próprio rabo. muito se fala em corporativismo, corrupção e conivência, de policiais que não vão prender outros policiais, por motivos óbvios. a máquina funciona, todo mundo ganha e ninguém reclama.
mas o que explica esses dois assassinatos, com sérios indícios de serem
queima de arquivo? no caso de confirmarem a participação da milícia na morte de iantorno, isso significa, visto que é propalado que políciais da ativa e aposentados, assim como bombeiros e agentes penitenciários participam da sua composição, que eles matam gente da sua gente.
lembro de ter lido no livro de zuenir ventura, "cidade partida" (circa 1994), uma passagem sobre insoburdinação de vários policiais militares a despeito da autoridade do secretário de segurança pública da época, o advogado nilo baptista.
como dizia marcelo yuka, "os cavalos corredores ainda estão na banca".
"who watches the watchmen?". ao que parece, ninguém.
se quem está investido do poder de polícia, e por isso, supostamente, tem como se defender seja por poder portar uma submetralhadora à tira-colo, ou simplesmente por andar em comboio, está sendo alvo do lado negro da força, que assola o rio de janeiro e outras metrópoles, imagina o que será do cidadão que está sozinho, vulnerável, e armado apenas com
antidepressivos e de seus respectivos contracheques.
eu fico me perguntando: que tipo de coração possuiam o coronel e o delegado executados? ambos conduziam investigações cujos objetos eram espinhosos e trariam, a gente desconfia, pesadas preocupações para si.
então ambos saem, desarmados e sozinhos, para comprar o pão de cada dia e não voltam.
por dedé a.k.a. homobono
serj tankian, system of a down (será que é ele mesmo???)
estou caminhando pela edgard werneck boulevard, absorto nas minhas preocupações quando subitamente um maluco do outro lado da rua acena para mim. sinceramente, não o conheço, mas ele diz o meu nome e o da minha banda. ôpa, nós temos um fã.
descontando o fato de eu estar sem os meus óculos, eu logo descobriria que quem me acena acabara de passar por um regime alimentar que o desfigurou e o tornou irreconhecível a mim e a muitos de seus credores.
desfeita a confusão inicial, colocamos a conversa em dia, visto que há tempos não encontrava o figura.
a minha parte, bem, vocês sabem alguns detalhes dela, né? tudo como sempre, muito emocionante.
porém, foi o que ele disse que soou bombástico, tanto que eu preferi não acreditar.
entre outras coisas, contou ter passado uma temporada nos estados unidos trabalhando para um grupo que estava desenvolvendo e explorando nada mais nada menos que projeções holográficas, no que me pareceu, voltadas ao showbusiness. como meu amigo era baterista, ele ficava tocando enquanto algumas câmeras o filmavam. depois de passar não sei por que processos, ele estava lá tocando bateria em três dimensões. ou melhor, ele não estava lá. quem estava era um holograma seu.
no primeio episódio de guerra nas estrelas, o andróide c3po, luke skywalker e o mba em artes jedi, obi wan kenobi assistem a um show holográfico da princesa léia
ele alegou que isso pouparia os músicos de longas turnês e viagens intercontinentais cansativas, que em alguns casos provocam, de fato, um colapso físico.
"veja bem, meu caro", ele tratou de me ensinar, "o músico pode muito bem estar no camarim durante seu próprio show e depois que esse acabar, ele recebe os convidados e dá autógrafos e tira fotos e come os sanduíches e bebe vinho".
depois de cinquenta e quatro minutos de conversa, me despeço. incrédulo, cético e cansado.
tudo corria bem para mim até eu me deparar com isso aqui, via urbe, de bruno natal.
o blogueiro, atualmente residindo em londres, fala sobre o u2 3d movie, o primeiro filme em 3d de uma banda de rock, que, claro, se não fosse de sandy&júnior, tinha que ser de bono e cia. e divagando sobre o tema, nos revela que o vocalista do system of down, serj tankian andou dando entrevista ao guardian, defendendo as possibilidades das turnês de agora em diante se tornarem holográficas.
ôpa, peraí!!! quer dizer que aquele meu amigo não é do caô e estava me falando a verdade???
o guardian, depois de um certo tom de galhofa, enumera as possíveis vantagens de os shows se tornarem de mentira (ôpa, quer dizer, holográficos), como não queimar combustível andando de avião por aí e poupar a natureza de milhares de garrafas d’água vazias produzidas pelos festivais de rock. como alento, serj alega que para as bandas pequenas e com menos grana, seria um grande negócio tocar mais e poder cobrar ingressos mais baratos.
tá bom, serguei. tá bom!!!
pouco a pouco, a ficção científica vai perdendo a graça. lembre que as gravações fonográficas detonaram a indústria das partituras musicais. o vinil foi dizimado pelo compact disc, que foi vitimado pelo mp3, que foi… (daqui a cinco anos você vai saber).
com essa derrocada da indústria fonográfica, todo mundo notou que a única coisa que ainda dava dinheiro eram os shows ao vivo (há, não esqueçam, o mercado de dvds, que parece bem movimentado). quando se pensa que nada pode substituir a apresentação de uma banda, com sangue, suor, lágrimas, tendinite, calo nas pregas vocais, jet leg e estafa, aí surgem os hologramas.
corta a cena
rio de janeiro, 25 de abril de 2011. cristiano marques e francisco júnior, do escritório que trabalha com os djangos, convocam seus integrantes para informar que a banda fará, finalmente, uma turnê européia. dedé aka homobono tem um sobressalto ao imaginar que agora vai conhecer lisboa, barcelona, o estreito de gibraltar, londres, paris, bruxelas, amsterdan, antuérpia…mas leva um solavanco maior ainda quando se vê sem um passaporte (afinal o único lugar fora de pindorama que conheceu foi o paraguay), e isso leva tempo para se resolver. logo, vem o balde de água fria. júnior e cristiano falam que, na verdade, trata-se de uma turnê holográfica. os djangos vão tocar num estúdio no pechincha, em jacarepagué mesmo, enquanto suas imagens vão chegar em 3d em várias paragens do velho mundo.
maldita tecnologia.
por dedé a.k.a. homobono
"esteja alerta para a regra dos três: o que você dá, retornará para você. essa lição, você tem que aprender. você só ganha o que você merece".
onde anda o dj túlio? foi ele que gravou uma fita k-7 com o disco duplo do ao vivo do mano negra no japão para mim. o cara morava em jacarepaguá e era chegado da galera do zumbi do mato. ele havia esbarrado com os djangos numa encarnação em que nos chamávamos corações e mentes e achara ridícula a nossa versão para "deeper shade of soul", do urban dance squad.
por ter amigos em comuns, como o também dj marcelo riot, que vendia vinis na 13 de maio, acabei me aproximando dele e vendo que túlio se amarrava num monte de bandas que eu também gostava. é claro, que ele estava a milhões de anos luz a minha frente. lembro bem de um dia chegar para fazer a passagem de som num show (já como kamundjangos) onde túlio iria discotecar. nas carrapetas já rolava um som muito, mas muito esquisito e, vou ser sincero, muito chato. perguntei ao dj o que era aquilo.
"portishead", respondeu ele enquanto ia pegar uma cerveja.
naquele tempo postishead não me interessava, fazendo menos minha cabeça do que o operation ivy, mighty mighty bosstones, bad brains, além das gravações que eu ia catando do mano negra.
tempos depois (caraca, 1998) liguei a televisão bem na hora em que transmitiam o free jazz festival de são paulo. um negão (mushroom) mais sinistro do que o seu jorge repetia hipnoticamente: "karmacoma! jamaica aroma/ karmacoma/jamaica aroma". as legendas que vieram a seguir ensinaram erroneamente o nome da música ("hymn of the big wheel", quando na verdade era "karmacoma") mas não o nome da banda: massive attack.
achei uma pena ter descoberto o tal do trip hop tardiamente. na época, com o dólar quase igual ao real (ou seria o contrário?) eu tratei de pagar minha dívida com o passado comprando via internet o "protection", segundo cd do massive attack. por ter afinidade com o reggae no que diz respeito às freqüências mais graves, o trip hop me soou muito familiar e abriu caminho para descobrir dj shadow, asian dub foundation, saint germain, apollo 440 e outras coisas (não necessariamente trip hop - que é apenas mais um rótulo) que deram um nó na minha cabeça skaraggapunkrock.
lembro que na época, os amigos na internet se comunicavam via icq e muitos deles assumiam apelidos uns mais ou menos esquisitos que os outros. o meu, por exemplo, era mutator. havia uma menina que usava o nick mysterons. ao encontrá-la pessoalmente, perguntei daonde vinha o seu nome do icq. então, mais uma vez o portishead surgiu na pauta do dia, já que mysterons era o nome de uma música deles. perguntei se portishead era bom mesmo, no que ela me respondeu "claro". melhor do que o massive attack?, insisti. "mil vezes", ela foi categórica.
não sei o que aconteceu logo depois disso. mas sei que catei umas músicas do portishead aqui e ali e tomei um choque. novamente, eu estava chegando atrasado num lugar onde mó galera já tinha estado antes e se esbaldado. tal constatação se reforçou quando eu descobri um vocábulo em inglês que descrevia perfeitamente o que se passava comigo nessas horas: hindsight. segundo o dicionário on line da cambridge significa (tradução livre minha) a habilidade de entender um evento ou situação somente depois que estes acontecem.
meu pai de santo me tranquilizou a respeito do meu discernimento tardio, dizendo que o meu coração é que era mais rápido do que minha mente. confiando na metafísica e nos blogs de mp3, resolvi ficar mais relax em relação a isso.
de qualquer forma, àquela altura conhecedor de algumas músicas do portishead eu me lembrei do dj túlio e da primeira impressão que tive ao escutar uma música dos caras num pub enfumaçado de botafogo. quanta diferença.
recentemente, ao conhecer rexblex, blogueiro, amante de dub, black music e músicas de boas procedências, aqui na empresa onde trabalho, fui agraciado com uma cópia do dvd que os caras gravaram em nova york acompanhados de uma orquestra e toda aquela boa impressão que tinha da banda se confirmou. ainda mais podendo ver as imagens de adrian utley, o guitarrista de jazz todo classudo tocando sua telecaster ou um minimoog ou geoff barrow, o turntablista fazendo aqueles scratches esquisitos e bacanas ou ainda a cantora de gelo seco beth gibbons. quanto a utley era engraçado ver que um instrumentista de jazz executasse um arranjo tão minimal e hipnótico.

eu prosseguia na minha vida pacata, gravando o disco do djangos e pegando meus ônibus quando subitamente recebi, via blogs, a notícia de que os portisheads lançariam um disco novo. juro que foi uma ótima surpresa, já que estava alheio a qualquer atividade da banda, pensando que ela estivesse extinta e seus ex-membros vivessem de dar palestras sobre o advento do trip hop, biografias ou então de processar uns aos outros.
mas está aí. o esperado "third". incensado pelos blogueiros como um disco no qual os caras não fizeram paródia deles mesmos, republicando as idéias dos scratches, por exemplo, o que soaria datado hoje. os blogueiros parecem ter gostado mas a seção de comentários nos respectivos blogs parece dividida. muitos gostaram, muitos ficaram indiferentes.
os caras estão em turnê pela europa e vi muitos comentários entusiasmados no myspace deles, alguns vindos de portugal. muitas pessoas extasiadas. eu as invejo do fundo do meu fígado.
depois de todo esse retrospecto emocional, não me atrevo a fazer resenha do disco para ninguém (haáháhah´- que pretensão, hein?). mas posso dizer, com alívio, que "third" dessa vez não foi vítima do meu contumaz hindsight.
por dedé a.k.a. homobono