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4/11/09

djangos e capital inicial juntos (no camarim)

o primeiro disco que ganhei na vida, no longínquo início da década de 80, foi "youth of today" do musical youth. no dia seguinte ao que eles apareceram tocando "pass the dutchie" no fantástico, meu pai, seu antonio emiliano de sousa, trouxe esse petardo para casa, mal sabendo no que estava me iniciando.

lembro que isso havia sido um presente. dentre os primeiros discos que eu (à epoca com 13 anos) pedi para que ele comprasse, estavam "under a blood red sky", do u2, "o concreto já rachou", da plebe rude e o primeiro do capital inicial.

um pouco por dentro da história do capital, sabia que em seu repertório havia muitas músicas de renato russo, da minha idolatrada legião urbana. sendo assim ficava mais fácil gostar de "música urbana", "fátima" e "veraneio vascaína", pelo que constava, vindas do repertório do aborto elétrico, a banda punk de renato com os irmãos e flávio lemos, respectivamente bateria e baixo. aquela história toda das bandas de brasília, turma da colina e outras mitologias contadas pela metade (ou nem isso) nas revistas e jornais, ajudava a aguçar a minha curiosidade.

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o disco aí de cima, com essa capa esquisita e bucólica, fez parte da trilha sonora da minha adolescência, embora achasse que seu vocalista, dinho outro preto, tivesse um sotaque afetadíssimo, quando eu os escutava em entrevistas ou tocando ao vivo em programas das rádios cidade ou transamérica.

com o tempo fui descobrindo the clash, two-tone, ska, punk rock, dub e me afastando do póspunk que tanto influenciou o rock brasileiro dos anos 80. acabei "perdendo contato" com as bandas que me incutiram a idéia de querer fazer música.

o mundo deu voltas e, em 1998, aqueles três suburbanos cariocas, que antes emulavam legião, paralamas do sucesso, engenheiros do hawaii, plebe rude e adjacências e agora cunhavam um estilo próprio, uma tal de skaraggapunkrock,  conseguiram finalmente gravar um disco. o nome da banda era los djangos e o do seu disco era "raiva contra oba oba",  produzido por joão barone e tom capone.

por estarem numa gravadora grande, uma multinacional, a warner, os djangos puderam ir a alguns programas de televisão. entre eles, um programa matutino na rede globo, apresentado pela angélica. e isso aconteceu duas vezes.

lembro que em uma dessas idas à vênus platinada, nossa entourage foi recepcionada por alguém da produção do programa que nos avisou: "vocês vão ficar no mesmo camarim que o capital inicial", como se aquilo fosse uma ameaça, não sei se para eles (capital) ou para os djangos.

a banda de dinho ouro preto tinha se separado e se reformulado. depois de idas e vindas, a banda voltava com line-up original, sem a nefasta presença de bozzo barretti, que tocara teclados em alguns discos de procedência duvidosa e que era apontado como um pasteurizador do som da banda.

o capital ainda não tinha estourado com o tal acústico mtv, de 2000, que tinha uma regravação de "primeiros erros", do kiko zambianchi e que os ressuscitou de vez.

naquele dia, no programa da angélica, eu vestia uma camisa do mano negra, uma das minhas bandas favoritas. batemos à porta do camarim e quem a abriu foi o próprio dinho, que imediatamente reconheceu o nome que figurava na minha roupa. "essa banda é foda", disse mais ou menos assim.

uns dias antes, tinha visto o capital inicial perder um quiz show disputado num programa da mtv. o seu adversário nessa ocasião tinha sido o ira!. e o que mais me afligiu nesse episódio foi que o capital perdeu por não saber mais responder os nomes das músicas que estavam no disco "revolver", dos beatles (não por acaso, o meu favorito dos cincos rapazes de liverpool). fiquei indignado porque dinho e seus amiguinhos simplesmente não lembraram de "tomorrow never knows", uma música emblemática que fechava o disco.

ao invadir o camarim, eu "joguei na cara" esse lapso de memória deles. todos contemporizaram ou me ignoraram, menos loro jones, o guitarrista cabelo meio slash meio poodle, que rebateu e me desafiou: "queria ver você lá, malandro!!!".

não demorou muito, o capital foi gravar sua participação no programa da angélica e partiu para o estúdio. quando voltaram, dinho, muito solícito, veio me dar uma dica valiosa: na hora em que fôssemos nos apresentar, que eu me concentrasse na arquibancada porque lá se aglomeravam os adolescentes, aparentemente mais receptivos a uma música menos "ilariê" ou "vou de táxi".

domingo, dia 1º de novembro de 2009, quando eu soube que dinho havia despencado do palco e sofrido traumatismo craniano, me veio à mente o rápido encontro que tivemos com esses astros da música pop nacional (aliás, vejam isso). confesso que o capital não é uma banda que eu acompanhe ou escute. mas isso não me impede de desejar que ele se recupere o mais rápido possível, sem sequelas ou prejuízos em sua saúde.

eu sei que a internet hoje, com seus blogs, twitters e seções de comentários, é celeiro de mensagens odiosas, engraçadinhas e preconceituosas, que não comporta votos como os que eu faço agora, ingênuos e simplistas demais. porém, dinho é um pai de família, filho, irmão e amigo de alguém, e por isso desejo que ele volte logo aos palcos, mesmo que eu não vá pagar para vê-los.

 

 

por dedé aka homobono

19/10/09

THE DJANGA MUSIC NON STOP

jomar schrank toca com os djangosfoto de lucky oliveira

 

foto de luciana aquino
joão xavi em \"cabra marcado\" foto de lucky oliveira
criado por djangos    12:52 — Arquivado em: Sem categoria — Tags:, , , ,

12/8/09

Tudo (ou quase tudo) sobre o clipe de “Operação São Jorge”

            Durante as gravações começamos a falar sobre qual seria a música de trabalho. Com o CD pronto a idéia de um clipe seria exorcizar o que foi feito na música "O futebol" do nosso primeiro CD Raiva contra Oba Oba, do qual sempre achei que merecíamos um clipe bacana, e para darmos um ponta pé na divulgação do novo cd.

              Tudo começou com um papo entre a produtora de vídeo Playmovie  e o nosso escritório. Fechado a parceria, a música escolhida foi a então "Operação São Jorge". Comecei, assim, a pensar num roteiro que não saísse do aspecto orçamentário. Na verdade o que escrevi foi o Story-line, que é uma espécie de idéia ou concepção de um clipe. Cheguei também a escrever algumas cenas, mas digo, logo, aqui que não sou roteirista e não tenho essa pretensão. A escrita veio de uma forma até lúdica. Imaginei algumas cenas, como seria a locação e etc. Lembro que naquele momento ainda não tínhamos diretor, até que surgiu o nome de um antigo amigo Gustavo Caldas que não só aceitou a empreitada como chamou o diretor de fotografia Antônio Penido. Logo depois marcamos reuniões com Gustavo para afinar as idéias para o dia da gravação, mas tínhamos um problema sério de som. Precisaríamos de algo potente e nesta hora pensei nos amigos e me veio na mente o faz tudo Fábio Ferreira que foi apelidado por Homobono de "Homem Efedrina". Fábio nas horas vagas é guitarrista do Mf3, engenheiro de som, luthier e nos ajudou emprestando o amplificador e as caixas de P.A de seu estúdio.  Ainda contamos com ajuda do Dj Gutz que nos emprestou microfones, mas que acabou não sendo usado nas filmagens.

              No dia anterior à gravação estive na locação junto com a produção da Playmovie para montar o equipamento e checar se tudo estava funcionando corretamente. Confesso que no dia da gravação estava apreensivo, pois sabia da importância e do envolvimento das pessoas que ali estavam trabalhando. Mesmo assim acabei me envolvendo muito com o clipe, mas tudo se torna fácil quanto se trabalha com profissionais. Lembro que cheguei às 8:30hs, e já se encontravam na locação o nosso produtor Alexandre Aquino, o diretor Gustavo Caldas e Antônio Penido, e saí às 20hs. Literalmente fui o último a sair da locação. Ainda tivemos uma segunda locação que foi realizada no estúdio Observatório de Ecos onde gravamos a parte do produtor do CD, Marcelo Yuka. Com a gravação finalizada chegamos, finalmente, na edição. O diretor Gustavo Caldas já tinha toda concepção em mente, mas o legal foi saber que meu e-mail com as idéias do clipe foram usadas. Percebi que Gustavo soube trabalhar e potencializar as idéias que chegavam até ele. Enfim, conseguimos fazer o melhor dentro das adversidades que encontramos, e vimos que o saldo foi positivo.               

        Os Djangos agradecem a toda equipe da produtora Playmovie, o diretor do clipe Gustavo Caldas, editora Clarisse Dworschak,  Fábio Ferreira, Jorge da Dr. Bass, René Dsouza, Antônio Penido, a Marcio Freaza, que esteve conosco na preparação um dia antes da gravação e a André Monteiro que ficou conosco parte da gravação pilotando uma das câmeras.

 

       por Jj Aquino

                                                                                                                                                               .

Assista o making of do clipe de

"Operação São Jorge"

aqui.

5/8/09

djangos em niterói - nitd - 7 de agosto


 

criado por djangos    12:08 — Arquivado em: djangos faz apresentação — Tags:, , ,

10/7/09

não espere nada do centro se a periferia está morta

 

criado por djangos    10:39 — Arquivado em: Sem categoria — Tags:, , , , , ,

3/5/09

trilhas sonoras e curtas

o sambista gideon

sempre curti o trabalho que vangelis e giorgio moroder fizeram respectivamente para os filmes "blade runner" e "o expresso da meia noite", e fora as trilhas sonoras que eu fiz para os meus próprios pensamentos e que se podem escutar nas músicas que gravei e compus com os djangos, nunca havia pensado em fazer música nenhuma para curtas ou longas.

isso até eu conhecer maurício limeira, o co-fundador do coletivo filmantes. por coincidência fomos cooptados no mercado de trabalho pela mesma empresa. e não demorou muito para ele saber que eu tinha uma banda e para que eu soubesse que ele fazia curtas.

a partir daí, maurício me convidou para compor a trilha "eu não quero petelecos", que, àquela altura, já estava quase pronto.

eu não sabia por onde começar. mas teria para isso o auxílio dos meus velhos fruity loops e acid. quando comecei tinha em mente a música de abertura da pornochanchada "aluga-se moças" (sic), uma música meio triste que me remetia a tantas outras que eu havia escutado nos filmes dos trapalhões, principalmente aqueles com a direção de jb tanko. essa primeira música enfeitava a travessia de barca que o personagem rodrigo, interpretado pelo cláudio beserra, faz para a ilha de paquetá. a cena com rodrigo andando em meio a outros passageiros me lembrou muito ( e isso é totalmente subjetivo) "midnight cowboy", filme de john schlesinger que aqui se chamou "perdidos na noite" (não confundir com o sensacional programa de fausto silva no século passado). 

a partir daí entrei, como diria o autor de "inteligência emocional", daniel goleman, em fluxo. não conseguia mais parar de pensar nas músicas que poderiam fazer pano de fundo para outras cenas, lembrando, é claro, que elas deveriam uma coerência com as cenas e que não as ofuscassem. e nisso fiquei umas boas madrugadas tentando fechar os números que fizeram vir à tona minhas influências de dub, como se pode escutar na faixa de abertura.

você pode assistir o filme aqui, no site dos filmantes. confiram o resultado.

mas eu não imaginava que maurício me chamaria para participar atuando em seus curtas, e é bom frisar que não rolou o famoso teste do sofá, antes que comecem a especular.

sempre me achei canastrão. pior do que o ralph macchio, de karatê kid, então participar como o estudioso musical tom leopoldo, em "as cinzas do cara do nirvana", foi um pequeno desafio muito divertido. em breve, "as cinzas…", estará disponível no site dos filmantes. a trilha sonora também é minha.

ontem à tarde, estive em realengo, subúrbio do rio de janeiro, para fazer minha segunda participação como dublê de ator. dessa vez, eu era o sambista-caipira das antigas, gideon. dei meu depoimento sobre a figura de cândido, personagem-fictício, que causava a morte das pessoas, algumas delas nomes importantes (também fictícios) do samba da lapa antiga, com quem conversava ou para quem desse um simples aceno.

nisso vou me divertindo e fazendo novos amigos.

que venham mais. muito mais.

 

 

por marco homobono

criado por djangos    11:44 — Arquivado em: Sem categoria — Tags:, , , , , ,

10/4/09

soundsystem ecumênica

um pequeno exerc�cio visual

há meses sem dar as caras por aqui, nenhum dos djangos encontrou-se inspirado para escrever nada que não fossem assinaturas em contratos de empréstimo consignado. meio que ocupados com as últimas providências relativas ao nosso novo disco, o blog ficou largado. mas chega de desculpas e vamos aos fatos. o disco se chama "mundodifusão" e seu lançamento está previsto para o fim de março.como já havíamos falado antes, a bolacha tem produção do nosso velho amigo, marcelo yuka, que nos ajudou a embalar a nosso gororoba sonora, uma mistura de tudo que a gente gosta como o reggae, ska, rock, música eletrÔnica, dub, punk, música romântica francesa… como diria o título da capa imaginária (que ilustra esse post) que dedé aka homobono bolou como punheta gráfica: uma soundsystem ecumênica. algumas pessoas também nos ajudaram a fazer esse disco, além do yuka, que cantou e tocou várias traquitanas. temos jomar schrank, que tocou vários teclados, guitarras e vozes. tivemos também lazão, baterista do cidade negra, famoso pelos toasts que canta em sua banda, mandando um com a gente em "imigrante ilegal". nosso amigo, joão xavi, rapper e cineasta da baixada fluminense, cantou conosco no skarockdub "cabra marcado". fizemos uma versão para "comportamento geral", de gonzaguinha e nada mais apropriado do que contar com sua filha, amora pêra, que integra as chicas, cantando conosco.

a arte da capa é de um outro velho amigo nosso de muito tempo, "raul mourão", que fez a capa do nosso primeiro disco, "raiva contra oba oba". em breve, também estaremos rodando o primeiro clipe extraído do disco, sob direção, em breve a se confirmar, de outro velho amigo.

quanto ao release, pensamos em alguém que viesse da blogosfera e que estivesse perto da gente, daí, que renato silva, a.k.a. otaner, do blog la cumbuca, escreveu o texto.

em breve, os primeiros show da turnê "mundodifusão" vão pipocar e vocês vão saber de tudo isso por aqui.

beleza???

grande abraço e até daqui a pouco.

djangos 2009
criado por djangos    0:00 — Arquivado em: Sem categoria — Tags:, , , , , , , ,
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